1 de Março de 2023 – insight diário – caFé da manhã

Hoje

o dia

pode bem ser uma de duas coisas, ou mais provavelmente:

um misto de ambas:

o acting out do medo – e a realização de como ele nos controla,

ao ponto de se tornar violência,

ou uma longa meditação sobre a Coragem necessária para Viver

e para correr os riscos de escolher viver de outra maneira.

A conjunção Vènus-Júpiter em Carneiro torna-se exacta;

o benéfico menor encontra o benéfico maior no signo da Coragem de Viver, para iniciarem um novo ciclo de relação entre si, que é como quem diz,

o Amor e a Fé reencontram-se dentro de nós,

cumprimentam-se, reconhecem-se, dão um beijinho,

e perguntam um ao outro

como vai ser

daqui para a frente

daqui em diante

– porque em Carneiro, para a frente é que é caminho

não há como olhar para trás

nem tomá-lo como medida

do que será,

porque em Carrneiro é tudo novo, e tudo acontece

pela primeira vez

embora

para o ser humano

seja muito difícil esquecer, fosse isso possível,

tudo quanto as nossas acções passadas originaram para nós próprios e as intepretações que lhes demos, tendo-se assim tornado o nosso destino

– o nosso passado – 

o que dizemos a nós próprios que experienciámos e assim,

entre a memória e a projecção,

a expectativa aprendida sobre o que podemos esperar.

E dessa maneira, que podemos nós esperar senão

que o passado se repita,

se é ao passado que estamos abertos, tão mais do que ao futuro, ou pelo menos

tão ou mais abertos ao passado do que ao momento presente, notando-lhe as ressonâncias inevitáveis, mas acima de tudo as diferenças, com o passado que dizemos, pensamos, acreditamos que foi

– e o que quer que tenha sido para nós, foi isso que foi para nós –

e onde está a possibilidade de nos abrirmos a todas as novas possibilidades que se fazem presentes no momento presente

se ao menos as relacionássemos com o futuro

em vez de com o passado?

Onde está o novo, e qual é a diferença entre o novo e diferente,

e o prolongamento e a repetição do passado

se é com os olhos do passado que olhamos para o momento presente?

O momento presente e a abertura ao mistério é o nascimento de todas as possibilidades:

há que acercá-lo com Graciosidade, Interesse, e Confiança

– em vez de paranóia, pronóia:

a firme convicção de que o universo conspira permanentemente para nos cobrir de bençãos, e que o que quer que venha, é no nosso melhor interesse e a nossa melhor oportunidade, em vez de:

– meu deus, e se me acontece outra vez o que eu já disse a mim próprio tantas vezes que me aconteceu, a partir do que me aconteceu – já que o que me “aconteceu” (fosse eu irresponsável por isso) é bem mais o que eu digo que me aconteceu,

há lá ela outra versão da nossa verdade senão

a nossa versão da verdade

e há lá outra coisa que tenhamos experienciado a não ser 

a nós próprios 

no passado?

E no entanto

Vénus e Júpiter encontram-se: o Amor e a Fé,

o impulso de viver com bem-estar e prazer, traduzindo-se no processo de nos fazermos a nós próprios felizes e aos outros, de caminho, e à nossa maneira específica e pessoal,

e o impulso de crescimento, de acreditar num universo maior e ordenado, essencialmente bom e benéfico, que está aí para nos trazer todas as oportunidades e bençãos de crescimento, realização, alegria, entusiasmo, e a possibilidade de viver e vibrar em liberdade, fidelidade a si próprio e vibração genuína?

Vénus quer que amemos, começando por tudo o que somos, fomos, e podemos vir-a-ser (chamam-lhe amor próprio, auto-estima, e auto-interesse iluminado),

e Júpiter quer que cresçamos e nos ampliemos – a nós e aos nossos horizontes pessoais -, e nos alinhemos com verdades e princípios universais que estão para além da lógica mundana, da pequena mentalidade terrena, do campo de percepção de quem vive com os olhos postos no chão e não no céu, e que nos alinhemos pela pauta da “verdade”, 

seja lá isso o que for,

a cada momento, para cada Um,

com a recordação de que mais além das pequenas e míopes verdades pessoais há uma verdade maior

à nossa espera

do lado de fora do quintal

assim queiramos e possamos nós crescer,

e crer,

para Ver.

Sem Carneiro, por estes dias, não há Vénus nem Júpiter.

Na Vénus e no Júpiter, por estes dias, temos de passar pelo Carneiro.

A condição de Vénus e Júpiter é Carneiro.

Carneiro está facilitado, e ampliado, por Vénus e Júpiter.

O Amor e a Fé encontram-se no signo da luta, do confronto, do derrubar de limitações.

No começar de novo,

de outro lugar,

e de outra maneira

com toda a aprendizagem do passado servindo de banco de memória e recurso de sabedoria aprendida a duras penas, não como

os limites auto-impostos de aprendizagens passadas e que funcionam (e funcionarão, se não forem vencidos)

como os nossos próprios carcereiros, e a ironia

é que somos nós que os empossamos.

Cinquenta palavras-chave para Carneiro, p.e.: conflito, guerra, início, nascimento, primavera, ser o primeiro, auto-afirmação, auto-motivação, entusiasmo, alegria, garra, vida, joie-de-vivre, desabrochar, explodir, invadir, marrar, investir

(como em “investir contra um muro”, não é investir no sentido de Saturno e Capricórnio, que é abdicar agora e adiar a recompensa para um suposto momento no futuro):

para Carneiro não há futuro, nem consequência:

só há Agora

e Agora

e Agora

e é desses Agoras que a Vida se faz, agora mesmo, momento a momento,

as we go along

improvisando

sem experiência prévia

pela primeira vez

sem noção nem bagagem

como um recém-nascido que experimenta e experiencia a vida pela primeira vez,

exposto

a todos os perigos, mas também

a todas as possibilidades

haja nele resiliência, mas acima de tudo,

a Coragem de experimentar correr o risco de viver

e transformar as cicatrizes em tatuagens e medalhas

sem precisar da carnificina violente de inscrever tinta ou espetar facas na própria pele,

– para isso já basta a Vida, se nos pouparmos a nós próprios no que pudermos –

e o curioso é que quanto mais nós o fazemos a nós próprios,

a tatuar-nos e a correr para pontas de faca, digo,

mais a Vida no-lo faz connosco,

nos espeta e fere e rasga e agride, que é só o reflexo da nossa própria agressão auto-inflingida, nós escolhendo facas e agulhas a dedo para as espetarmos em nós próprios

– pelo que pensamos, pelo que fazemos, pelo que escolhemos, pelo que não fazemos, pelo que não pensamos, pelo que não escolhemos, 

e a Vida repetindo-lo e ecoando-lo connosco, fazendo connosco – o quê, senão?, o mesmo, em espelho e em eco –

e nós a queixarmo-nos da vida,

por ela fazer o mesmo que nós fazemos,

enquanto nós o fazemos inconsciente e compulsivamente

na expectativa de que o eco seja diferente, meiguinho, e o oposto

de um eco violento auto-dirigido,

a violência com que nos tratamos – ou dizemos a nós próprios que é a nossa própria experiência de Vida, mas que é só a nossa própria experiência de nós próprios,

do nosso inconsciente projectado na nossa própria vida

e assumindo, como dizia o Jung, a forma de Encontro, Relação, Acontecimento, ou Destino

a Ironia

de nos destruirmos e matarmos lentamente e esperarmos

que seja a Vida a proteger-nos, cuidar-nos, e salvar-nos

de nós próprios

enquanto

nós

espetamos a faca, o bisturi, o cutelo, a pistola, a bisnaga, no próprio corpo e depois nos queixamos

de doer.

De a vida fazer doer

enquanto nos espetamos, cortamos, cosemos, trituramos

com a violência de uma mente demente torturada pelo medo, pela culpa, pela raiva, pela impotência, pela zanga

(inconscientes, claro: mas algo do que temos consciência nos transtorna?!)

pela necessidade inconsciente de auto-punição,

pela tendência de bebermos nós o veneno na expectativa de que os outros morram,

no julgamento de que há algo errado ou inadequado com a Vida quando o que ela nos faz é devolver-nos a possibilidade de nos reconhecermos a nós próprios,

aos nossos “inquilinos” inconscientes:

padrões, traumas, memórias, experiências, aprendizagens, programações, crenças,

vida após vida,

vida após vida,

experiência após experiência,

programa após programa

ferida após ferida?

Ao mesmo tempo, e é por isso que este dia nos traz uma surpreendente meditação sobre o Amor, a Fé e a Coragem necessárias para Viver

e o acting-out do medo, e a realização de como ele nos mata, assassina, adia, paralisa, controla, e violenta

(e onde está o medo? na corda grossa esquecida no chão, na penumbra, ou na mente da pessoa que quando a vê a confunde com uma cobra venenosa pelos mecanismos da sua própria cabeça? É a corda a ameaça, ou a mente que a cria? É uma corda ou uma cobra? Para uns é só uma corda. Para outros é uma cobra. Para outros é só uma cobra. Para outros é só uma corda que por instantes lhes pareceu uma cobra. Para outros, a oportunidade de ter uma iluminação instantânea,

mas não como o café.

Instantâneo, digo:

porque Carneiro é rápido e impulsivo, mas nada nesta vida

se faz sem Trabalho, e muito menos:

a Vida.

O automático é o rio que nos arrasta de volta a tudo quanto conhecemos do passado:

a memória é a escriba da Alma, dizia o Aristóteles:

e hoje, muito “curiosamente”, interessantemente, ironicamente, oportunamente, e justatamente:

o dia começa com a Lua em Caranguejo, em quadratura aos planetas em Carneiro –

é o símbolo perfeito da luta entre a possibilidade a promessa do novo e o tropeço nas memórias antigas, que nos reactivam os medos e as aprendizagens hipnóticas auto-induzidas

(o meu pai abandonou-me à nascença, ao não me reconhecer, ou perfilhar, ou assumir, ou ao ir trabalhar para França?; ou deu-me a oportunidade de crescer e de me fazer a mim próprio, e desenvolver uma relação mais directa com Deus, Pai, já sem intermediários falíveis, imperfeitos, e humanos que nunca estariam à altura de honrar a qualidade de ligação que eu próprio viria a desenvolver por ter sido “abandonado” – ou confiado! – à vida, a mim próprio, à sorte, à protecção ou ao canibalismo invisível do colo da minha mãe?)

É que,

o que queres que digas a ti próprio que te “aconteceu”,

é isso – é precisamente isso que te aconteceu

já que assim o escolhes,

já que assim o decides,

já que assim o interpretas.

Gostava, eu nuno edgar,

de ser capaz de te explicar isto e sem demasiadas palavras, sabe deus:

mostrando-to

Mas

não posso nem me lo cabe:

é o tipo de coisa que não se ensina –

– só se aprende.

Quando há Vontade, Inteligência, e Amor:

o triangulo sagrado da Alma que ainda há-de nos salvar a todos

da estupidez das nossas próprias personalidades.

O que eu posso,  e quero, é dar-te assim uns exemplos, um mote, uma inspiração

para a tua longa inescapável meditação destes dias:

a maneira como sem Amor e Fé não se vinga,

não se vence,

não se vive,

e todas as maneiras como tropeçamos em nós próprios e nas nossas distorções, crenças e percepções antigas que justificam que nos protejamos e nos defendamos de uma Vida que interpretamos nós como madrasta, especialmente

se tivemos experiências Cancerianas (infantis, familiares, emocionais, precoces, antigas) difíceis,

e todos as tivemos,

uns mais do que outros, mas todas à medida

dos medos e das feridas e da violência e do auto-abandono que cada Um de nós transporta e projecta e materializa

como experiência – como a sua própria experiência – de Vida,

por forma a poder tomar consciência do que É,

do que foi, ou pelo menos:

do que tem sido.

A Lua é uma trip down memory lane, a recordação viva de toda a história emocional vivida:

e a quadratura com Carneiro a dificuldade em avançar quando no Presente, necessariamente aberto ao futuro, somos assolados pelas recordações do passado, necessariamente

grilhões e vendas do Presente.

Dito de outra maneira,

avançar não é esquecer;

é processar as memórias, a sua natureza e função,

fazer de toda a experiência vivida repositório de sabedoria e aprendizagem – não da Vida, mas de nós próprios a deturpar a Vida à medida das nossas possibilidades, impedimentos, e artroses emocionais,

prisioneiros do medo, da memória, do julgamento, das atribuições de culpas e da nomeação de carrascos

exteriores

– símbolos projectados da nossa própria violência –

e Saturno fechando a sua passagem por Aquário e pelas ideias limitadoras que são as caixas mentais dentro das quais vivemos,

Mercúrio aproximando-se, para não nos deixar fugir sem fazermos um auto-diagnóstico e assumirmos a responsabilidade pelos pensamentos que nós próprios alimentamos,

alimentando assim as prisões

– ou as promessas de auto.libertação – 

Plutão preparando-se para trazer a revolução e a destruição dos nossos próprios quadrados

– e o poder de transformar as próprias limitações – 

Saturno preparando-se para entrar em Peixes, dissolvendo limitações antigas

Urano a meio (em pleno!) de Touro, trazendo-nos a possibilidade e a promessa de novos valores e novas formas pessoais de segurança pessoal, mas não sem “activarmos” esta Vénus que agora é Carneirenta, corajosa, ou então – um memé –

o Sol em Peixes ajudando à dissolução, à desintegração e à compreensão feita de Aceitação de tudo o que foi,

ajudando-nos e incitando-nos a nos abrirmos e aceitarmos Tudo o que será,

a Lua preparando dois dias e meio de auto-análise

(psique_análise!)

numa longa e muito subtil meditação por estes dias

sobre o medo, a violência auto-infligida e recebida de fora em projecção,

e acima de tudo – 

sobre a Coragem necessária para Viver, Arriscar e Crescer

Ampliar e Amar

a promessa de novos horizontes e possibilidades de Ser;

a condição é reconhecer que cada novo momento, e especialmente por estes dias,

traz consigo a promessa de um universo inteiro de novas possibilidades

desde que seja o Coração, e não a mente demente, assustada, antiga e programada

(fria, duvidosa, separativa, calculista, analítica, programada para a sobrevivência a meio da repetição compulsiva de tudo – e apenas – o que já conhecemos e experienciámos)

a conduzir, 

a ser escolhido como critério e Força,

recordando

que cada novo momento traz a promessa de Vida

(como as águas de Março)

e que nos cumpre a nós

acercarmo-nos de cada novo momento com Graça, curiosidade, expectativa positiva

(pronóia!)

e a Confiança de que se não fosse para a nossa Glória,

nem Deus nos seria, nem nós seríamos

Deus *