10 de Janeiro de 2023 – insight diário – caFé da manhã

Hoje o Bosque

amanheceu submerso na bruma, parecia

Avalon.

E o Sol amanheceu em trígono a Urano, nos graus 19º de Capricórnio e Touro, respectivamente.

Dei por mim

pé descalço e frio, café na mão, nevoeiro em volta, virado para nascente

rezando o nome completo da minha mãe, Olga Maria Correia Pedro de Almeida

quatro vezes,

às quatro direcções

e seus guardiões

pés descalços e frios, café quente na mão, o Coração aquecido pela inocência e espontaneidade do meu ritual

(não me lembro de o ter feito, assim, desde a sua morte física há mais de nove anos)

– nem mesmo sendo Peixes, ou talvez mesmo por isso – sem noção nem ideia da razão de me ter apanhado a fazer isso

deixei a bruma em paz – literalmente – e de repente caiu-me uma ficha.

Eu sabia que hoje era dia de Sol trígono a Urano: dia de futuro, liberdade, libertação, e abertura.

Dia de soltar coisas. De ser espontâneo. De ter insights e epifanias.

O senso de estarem a resolver-se coisas antigas (anteriores) para abrirem espaço e rumo ao futuro,

como quem retira um mioma

e fecha um ciclo

ou recebe uma carta

e resolve um assunto:

como quem grita um nome

e faz sei-lá-o-quê

Um dia

de soltar coisas –

como um anal retentivo que começa a tomar psyllium husk.

Mas depois caiu-me a ficha, neste dia de epifanias e coisas soltas (melhor, soltadas):

o Sol está no grau exacto da minha Lua natal, e eu sem “querer” dei por mim

a rezar o seu nome completo

e a soltar a minha mãe *

Que giro: toda a gente sabe que Urano trígono à Lua é uma boa fase (porque demora meses!) para soltar apegos, memórias, ligações, e tudo quanto orbite o arquétipo materno-lunar;

mas darmos por nós, no dia exacto em que o Sol, regente do nosso Ascendente, activa esse trígono a soltar o nome da mãe ao vento e à bruma, devolvendo-a à guarda das 4 direcções,

é como quem diz: se estava na hora, chegou o momento (o trânsito rápido, de um dia, do Sol a activar um aspecto que demora meses)

e eu não páro de me comover e deslumbrar com a sincronicidade da Vida

que se cumpre,

mesmo quando não temos noção consciente nenhuma até que a coisa se dê;

como Deus a servir o almoço e de repente nós apercebermo-nos, quando olhamos para o relógio,

que é a hora exacta de almoçar

e pensar

que ainda duvidamos do Amor e do Rigor

com que a Vida, Grande Mãe, nos cuida e nos arruma enquanto nos confiamos, pé descalço e coração quente,

ao seu abraço – e em manhãs como a de hoje –

à sua bruma *