Hoje a Lua está co-presente com Júpiter
(em conjunção exacta, nas primeiras horas da manhã)
no signo de Touro
trazendo a atenção e a presença para o corpo, o mundo físico e material,
o prazer dos sentidos físicos
e a experiência de estarmos encarnados
relacionando-nos com um mundo de formas
desfrutando e vendo através delas, ou então
encadeados pela sua densidade.
É um bom dia para pedir um aumento.
É um bom dia para cuidar do jardim.
É um bom dia para uma massagem
ou aplicar cremes no corpo.
É um bom dia para reparar
como lidamos com o dinheiro,
e um bom dia para prestar atenção
ao que gostamos, nos dá prazer, conforto, e segurança
e quais são os rituais que nos devolvem centro e estabilidade
quando à volta tudo muda, rodopia,
e dança.
É um bom dia para reparar
na cosmética da vida:
Cosmos significa ordem e harmonia, e Touro,
estabilidade e pés no chão.
É um bom dia para desacelerar e simplificar
e de aumento
mas das coisas que nos são importantes –
e raramente é acerca de dinheiro, mas daquilo que através dele podemos obter:
o prazer de viver, ou a compensação impossível
por vivermos vidas desconectadas do essencial
à espera do momento de podermos aproveitar,
parar,
apreciar o jardim e as rosas, cheirar o café,
acariciar o cabelo do nosso amante ou do nosso filho,
escovar o nosso, aproveitar
para flutuar
ouvir música, queimar incenso,
estar com um amigo que está a fritar
– se soubermos e pudermos não fritar, nós –
espalhar tintas na tela, com as mãos,
arrancar as daninhas do jardim e as danadas da cabeça
– lá dentro –
respirar e lembrar
que o valioso é muito simples, e o complexo não nos compensa
pela falta do essencial.
E antecipando a retrogradação de Saturno, daqui por dias poucos,
vale lembrar o que dizia o Aristóteles acerca do acúmulo e do aumento:
“Somos o que fazemos repetidamente. Logo, a excelência não é um acto,
mas um hábito.”
De modo que, eu se fosse a ti,
começava a reparar a sério naquilo que faço repetidamente,
porque com ou sem a Lua com Júpiter em Touro, tende a acumular:
e – é só uma questão de tempo, hábito, e repetição –
a dar frutos
sagrados
de vosso ventre
criador
que depois sofre e se queixa de viver com o resultado
de não se repetir e viver
com Amor *

