Num dia como o de hoje,
há algo de muito positivo
– até libertador, enfim,
em ser diligente, e produtivo;
e levar o que tem de ser feito
até ao fim.
Não tem que ser brilhante, diligente, e motivado:
não tem que ser inteligente, visionário, ou criativo –
mas tem que ser eficaz, atento, diligente e presente
e para o que não tem remédio,
tem de ser paliativo.
Não é tão bom, e gratificante, inesperado, ou pelo contrário – antecipado, como numa contagem decrescente
sermos libertados de um conjunto de tarefas importantes ou necessárias (as que tenhamos tido em mãos entrementes)
para nos podermos dedicar a outras, quem sabe
mais gratificantes, ou – visionárias.
Indecentes?
Nem sempre a Terra atrapalha ou demove; atrasa, ou chove:
Às vezes, se lhe respeitarmos o ritmo e as inevitabilidades, e os cumprirmos até ao fim,
as coisas resolvem-se e esgotam-se por si próprias, cumprem-se e libertam-nos quando chega a sua, a nossa hora;
mas para quê, senão para uma nova fase de empenhos, objectivos, actividades, desenhos, desejos, e assim?,
se a imaginação humana, o desejo, e o engenho,
– especialmente agora –
e ao contrário dos milhões de pequenas tarefas do mundo de baixo
sobrevivem a todo o empenho
e nunca têm fim?
Façamos o que temos a fazer, enquanto tivermos de o fazer:
porque não tarda nada a situação muda e teremos mais liberdade
para o que realmente queremos viver *
Dito de outra maneira, para quem não gosta de literatura –
faz o que tens em mãos
até que a Vida te liberte do servicinho
a que uma parte de ti
chama ditadura *



