14 de Setembro de 2022 – insight diário – caFé da manhã

Num dia como o de hoje,

há algo de muito positivo

– até libertador, enfim,

em ser diligente, e produtivo;

e levar o que tem de ser feito

até ao fim.

Não tem que ser brilhante, diligente, e motivado:

não tem que ser inteligente, visionário, ou criativo – 

mas tem que ser eficaz, atento, diligente e presente

e para o que não tem remédio,

tem de ser paliativo.

Não é tão bom, e gratificante, inesperado, ou pelo contrário – antecipado, como numa contagem decrescente

sermos libertados de um conjunto de tarefas importantes ou necessárias (as que tenhamos tido em mãos entrementes)

para nos podermos dedicar a outras, quem sabe

mais gratificantes, ou – visionárias.

Indecentes?

Nem sempre a Terra atrapalha ou demove; atrasa, ou chove:

Às vezes, se lhe respeitarmos o ritmo e as inevitabilidades, e os cumprirmos até ao fim,

as coisas resolvem-se e esgotam-se por si próprias, cumprem-se e libertam-nos quando chega a sua, a nossa hora;

mas para quê, senão para uma nova fase de empenhos, objectivos, actividades, desenhos, desejos, e assim?,

se a imaginação humana, o desejo, e o engenho,

– especialmente agora –

e ao contrário dos milhões de pequenas tarefas do mundo de baixo

sobrevivem a todo o empenho

e nunca têm fim?

Façamos o que temos a fazer, enquanto tivermos de o fazer:

porque não tarda nada a situação muda e teremos mais liberdade

para o que realmente queremos viver *

Dito de outra maneira, para quem não gosta de literatura – 

faz o que tens em mãos

até que a Vida te liberte do servicinho

a que uma parte de ti

chama ditadura *