15 e 16 de Agosto de 2024 – insight diário – ca_Fé duplo

Mercúrio, em movimento retrógrado, regressou ontem aos últimos graus de Leão e tocou Neptuno numa missão às arrecuas: o que terá ele de recuperar de si próprio? Escavar mais fundo no seu próprio Coração? Resgatar da sua própria verdade, criatividade, ou identidade? Receber, como benção, do Sol? E poder vir a expressar, qual arauto, em seu nome, quando voltar a tornar-se novamente directo?

Vénus aproximando-se da oposição a Saturno, Marte formando com ele quadratura exacta, Júpiter também; a Lua formando quadratura a Neptuno, tudo em signos mutáveis, de mentalização e ruminação:

tudo isto, ontem;

como se andassem todos desconfiados uns dos outros, olhando-se de esguelha, cada um com uma agenda própria e diferente das dos outros, mas misteriosamente entrelaçadas, nenhum deles sentindo apoio em lado nenhum, de nenhum outro, como se não pudessem – de momento – contar com grande coisa, nem de nada, nem de ninguém:

o que também não faria grande falta, ou diferença, ou seria sequer possível – é o though e edificante love de Saturno pedido, dizendo, exigindo a cada um dos outros que se eduque sozinho, por si só, e no silêncio: como a virtude da abelha fazendo o mel na colmeia,

à vista de ninguém.

Isto para dizer que é natural

que a um qualquer nível de nós próprios, nos tenhamos sentido de certa forma separados, isolados, incomunicáveis, impartilháveis, com “coisas por fazer” – experiências por viver, testes por enfrentar – que ninguém pode fazer por nós, e muito menos connosco:

como se precisássemos de nos reconciliar, e contactar outra vez, com a dimensão profunda da sua própria individualidade, separação, e limites: cada um ao encontro do seu próprio Coração e dentro dos confinamentos do seu próprio Destino.

Afinal,

estes são dias de Saturno e Mercúrio retrógrados, Vénus em Virgem, e Saturno por todo o lado:

dias de cada Um cuidar de si mesmo, pôr-se e ao seu petit monde em ordem, e é natural sentir as paredes invisíveis que nos separam de tudo e de todos – e nos aproximam de nós mesmos – e nos separam dos outros,

e nos aproximam dos outros,

por nos aproximarem de nós.

Mas isso foi ontem, porque hoje

a Lua transita por Capricórnio, entende-se com Vénus em Virgem, sextila Saturno, e é muito mais fácil fazer o que precisa ser feito, enfrentar o que precisa ser enfrentado, pôr em ordem o que requer ordem, aceitar o que não pode ser mudado, e lidar com a Vida com dignidade e senso prático.

Porque o mais difícil foi ontem; e hoje,

ah, hoje é mais fácil:

porque hoje é Hoje, e Hoje é o dia

em que tudo pode começar outra vez;

e a parte boa – a parte melhor – é que amanhã

há-de ser Hoje,

outra vez *