Se “isto” fosse um condomínio
– às vezes pandemínio, às vezes condemónio –
hoje estariam, cada Um dos condóminos,
dedicado à sua própria loucura, à sua própria agenda, na sua própria frequência,
alguns ligados por temas em comum, mas largamente dispersos e sem grande relação aparente entre eles,
como se estivéssemos, cada Um de nós, em diferentes partes, tempos e com interesses distintos em simultâneo
– o que por um lado pode ser expressão de universalidade, polivalência e multi-funcionalidade, mas por outro,
simplesmente um senso de caos, indefinição, falta de integração, não sabermos para onde nos virar, por onde começar, ou sequer – o que é que nos apetece, se é que realmente apetece alguma coisa, mais além do que possivelmente não nos apeteceria, e temos de fazer.
Ou então, não.
E sou só eu a projectar e a dar voz a uma das muitas partes de mim, a que dramatiza, ou a que procura dar conta de tudo mesmo sem perceber como é que tudo – hoje em particular – se relaciona entre si.
Vejo o Sol, por exemplo, em Sagitário, a querer seguir um caminho – mas em quadratura a Neptuno, trazendo indefinição e nevoeiro, sacrifícios, letargia ou falta de vontade e motivação, vontade de escapar, fugir, beber, ou desaparecer dentro de uma nuvem – sentindo-se permeável, sensível, exigido e impactado pelo mundo; ou por outro lado, inspirado por visões e apelos ainda sem forma. Inquietação, insatisfação, ou contemplação de tantas possibilidades – mas não aqui e agora, porque o aqui e agora, com Neptuno, assume contornos imponderáveis e suspeitos.
Vejo a Lua em Aquário, que tem em comum com o Sol a vontade de se libertar de constrangimentos, avançar para o futuro, mas a caminho de quadraturas a Vénus em Escorpião e a Urano em Touro, e de um senso de contradição e insatisfação perante aquilo que a “prende”.
Vejo Mercúrio retrógrado em Capricórnio, a ter de tratar de coisas muito práticas enquanto a Lua e o Sol sonham com outros horizontes;
Vejo Vénus em Escorpião a preparar-se para opor Urano em Touro e um senso de sufoco crescente, e a necessidade de romper com restrições e limitações na Vida, enquanto procura Amar mais, de forma mais pura e essencial e melhor, tendo para isso de se despir de mais uns casacos e camisas de força;
Vejo Quiron em Carneiro activado por um trígono de Marte a passar por Sagitário, o que pode significar um boost de Coragem e Energia para fazer o que tem de ser feito (mais além de sonhar com circunstâncias mais criativas e livres); e o que tem de ser feito? Não sei. Cada Um saberá. Mas Quiron a 15º de Carneiro, a mim, fala-me do ápice, do culminar, da mais pura expressão de Carneiro – a consciência de que de alguma maneira, cada Um está profundamente só com a sua própria experiência e destino, e a ter de atravessar, de muitas maneiras sozinho, as pontes da sua própria existência.
O trânsito de Quiron por Carneiro é isso, afinal, que nos vem ensinar – a Coragem de existir, de Ser, e de se tornar – através das experiências tantas vezes difíceis que temos de aprender a enfrentar sozinhos.
Também vejo outras coisas e outros planetas, mas o essencial do que aqui quis trazer hoje, agora, é isto:
é natural que nos sintamos como a proteína spike – com espigões em várias direcções,
e é natural que nem sempre nos sintamos no nosso melhor: integrados, dirigidos, focados, seguros, decididos, apoiados;
é natural que às vezes nos sintamos “all over the place” e com dificuldade em atravessar os nossos próprios momentos de nevoeiro.
Mas pelo menos está Sol;
e Marte faz trígono a Quiron em Carneiro, e Mercúrio a Júpiter, e a Lua há-de se encaixar harmoniosamente com o Sol e depois com Marte:
na prática,
vai fazendo o teu melhor para lidar com as tarefas que tens à frente e em mãos, momento a momento; e mantém a Fé e a Coragem e a Confiança.
A Vida é uma dança, os planetas também dançam, e com eles, a energia que nos move e nos forma, momento a momento:
e aproveita – como te sugeri no webinar mensal sobre Dezembro (ainda te lembras?) – para dares as graças por todas as bençãos que tens na Vida e todos aqueles que fazem parte dela e ta enriquecem;
às vezes é fácil, e natural, ficarmos focados nos fragmentos menos gloriosos da nossa experiência particular e pontual e perder de vista o essencial, que é o eterno, e por isso, também terno:
apesar das dificuldades temporárias – e tudo é temporário -, também temos muitas coisas boas pelas quais agradecer.
Foquemo-nos nelas com ainda mais determinação, se nos for possível, e demos Tempo ao tempo:
também isto, como diz o anel sábio do rei, passará.
Também isto passará.
E a verdade é que está um Sol fabuloso e um dia de Primavera em Dezembro,
e podia ser tão pior:
podias não ter o super-poder de um Coração humano,
e podia estar a chover *

