O dia começa com a Lua domiciliada em Caranguejo
bem ligada a Júpiter em Touro e a Saturno, já retrógrado, em Peixes,
anunciando e assinalando entre várias outras coisas o aspecto finalmente tornado exacto entre Júpiter e Saturno
(a que eu chamei, uns webinars atrás, de “construção do altar/templo”)
e de que todos os que têm planetas ao redor dos 6º a 8º de Terra (e secundariamente, da Água) têm estado à espera
mesmo sem saber.
O sextil entre Júpiter e Saturno representa uma estabilização, uma pacificação, uma maior segurança nas nossas visões, inspirações, crenças, e passos. Abre-nos, também, a possibilidade de começar a materializar, ainda que imperfeitamente, algumas das nossas visões e sonhos, como se pudessem
– finalmente-
começarem a ganhar forma concreta, foco, direcção, ou clareza.
É, de alguma forma, uma energia de estabilização, pacificação, e de maior confiança no lugar onde estamos, de clareza na nossa direcção de vida, e de fé nos passos necessários para nos levar às próximas paragens dos nossos destinos.
O essencial, e o que depende de nós,
é cuidar do altar interior.
O resto é reflexo e consequência.
Se o exterior é reflexo, então, dentro e fora reflectem-se mutuamente. Ao organizar o espaço, estou a organizar o mundo interior.
E ao organizar o mundo interior estou a trazer Ordem à minha vida prática.
Ao duvidar, estou a enviar sinais contraditórios ao Universo, e ao confiar, estou a confiar na direcção das minhas decisões, escolhas, e na minha capacidade de aceitação e responsabilização pelas suas consequências.
Quando duvido, resisto, ou não sou total, a Vida devolve-me a indecisão, a dualidade, a indisponibilidade, enfim: devolve-me razões para duvidar, resistir, e não confiar.
Quando confio, toda uma legião conspira comigo a favor da minha decisão; e se os resultados por mim imaginados, desejados, projectados ou esperados – por factores insondáveis que não conhecemos e que não dependem do nosso esforço ou consciência – se revelam diversos do que eu imaginei,
pelo menos
eu fiz a minha parte,
eu tomei a minha decisão,
eu corri o meu risco,
eu confiei.
E isso é tudo.
Por estes dias é mais fácil sermos capazes de respondermos por aquilo que escolhemos, por aquilo que queremos, por aquilo que decidimos, por honrar – mesmo correndo o risco de sermos desapontados, surpreendidos, e ensinados -aquela parte de nós que diz “acredita!”, “confia”, “entrega-te!”. “Vai valer a pena”.
Recompensas aguardam quem escolhe com o Coração, escolhe arriscar, escolhe confiar.
E escolhe Ser, fazer e tornar-se a partir dos seus sonhos.
Mas isso é o sextil de Júpiter a Saturno.
Ao longo do dia, a Lua em Caranguejo em sextil a Júpiter e em trígono a Saturno não nos traz só isso; traz-nos também a Recordação, e uma avaliação madura e responsável das nossas dívidas, responsabilidades, falhas e faltas.
É como se estivéssemos a pensar, inconscientemente, no que devemos aos outros e os outros a nós; a perguntar-nos, inconscientemente, até onde somos responsáveis, por nós e pelos outros, e quem sabe até,
a apropriarmo-nos das nossas responsabilidades emocionais e pessoais de forma equilibrada, sã, saudável, lúcida e correcta.
Por exemplo, podemos reconhecer as expectativas que projectamos para cima dos outros, as responsabilidades que inconscientemente lhes exigimos, o que esperamos (mesmo que nem sempre tenhamos disso consciência) que nos dêem, devolvam, ou “façam” sentir.
De modo que,
um bom mantra para o dia seria (pensando em pessoas ou situações concretas) afirmarmos variações pessoais e adequadas de
“tu não me deves nada. Eu devo a mim próprio.”
Por exemplo,
“Tu não me deves fazer-me sentir seguro. Eu devo a mim próprio a minha própria segurança emocional”
… é que, sabes,
de cada vez que projectamos nos outros o preenchimento das nossas próprias necessidades, infantilizamo-nos, desempoderamo-nos, demitimo-nos, e além disso,
tornamo-nos dependentes e uns chatos do caraças.
Os outros, quando não nos dão o que esperamos, exigimos, ou queremos, é porque nos estão a dar oportunidade de clarificar o que precisamos, mas que temos de ser nós próprios a proporcionarmo-nos.
De modo a que possamos ir com Amor, e não com carência.
Com abertura e generosidade, não com cobrança, expectativa e julgamento, que nos fecham o coração e lançam mantos e redes para cima dos outros.
De modo a que possamos viver com responsabilidade emocional e pessoal sobre nós próprios.
E já que a Lua, ao longo do dia toca Saturno e depois Neptuno em Peixes – e daqui por dias o Sol repetirá os mesmos aspectos -, também seria interessante começarmos a transpersonalizar a nossa vida para termos maior compreensão. Assim, em vez de dizermos “o Francisco não me compreende”, podemos tirar o nome da pessoa em concreto e pensarmos em termos do arquétipo, e da função. E assim, passarmos a dizer “o meu masculino não me compreende”.
E depois experimentamos substituir pelo primeiro masculino das nossas vidas, e substituir “masculino” por “o meu pai”: “O meu pai não me compreende”.
E depois, apropriarmo-nos dessa projecção, e reformularmos para “eu não compreendo o masculino.” “Eu não compreendo o meu pai.”
E ainda:
se aproveitasses as energias destes dias, ainda comprarias um caderno e farias um diário onde escreverias todas estas coisas.
Vale a pena o exercício de auto-análise e auto-responsabilização.
E os tempos estão bons para isso.
Experimenta.
Por exemplo,
no que é que virá a dar o exercício de responsabilização emocional e reapropriação das projecções pessoais numa perspectiva de transpersonalização das dinâmicas nas nossas vidas
no seguinte exemplo:
“a minha mulher é emocionalmente indisponível”?
O feminino é emocionalmente indisponível.
A minha mãe é emocionalmente indisponível.
Eu estou emocionalmente indisponivel para a minha mãe.
E assim eu decifro o código, e encontro a solução.
Eu torno-me emocionalmente disponível para o feminino, para a minha mãe, e para a Maria; e deixo de sofrer da ausência, da carência, da insuficiência do que me vem “de fora”,
e troco a impotência da Lua pela potência dadivosa e criativa do Sol
simbolicamente falando.
E depois,
se a minha mulher continua a ser emocionalmente indisponível?
Bem, se continuar, é lá com ela.
Se eu estiver emocionalmente disponivel para o feminino, estarei emocionalmente disponível para o feminino em mim, e porque feminino é Alma,
e eu estiver disponível para a minha Alma,
saberei exactamente como cuidar dela;
afinal,
a Alma é minha
a Vida é minha
e eu não estou à mercê que cuidem os outros de mim
– aprende, sente e reconhece a Lua, enquanto viaja à frente e antecipa as próximas semanas do trajecto do Sol por Caranguejo, com Saturno e Neptuno à vista –
pelo menos hoje
pelo menos por hoje
porque como toda a gente sabe, hoje só temos hoje
e amanhã é outro dia
outra merda qualquer há-de flutuar na nossa direcção
no infinito e imenso Oceano da Vida
enquanto nos fazemos velhos lobos do mar
apesar de nos adiarmos, e adiarmos, com a mania de que poderemos continuar a ser
marinheiros de águas doces *

