2 de Julho de 2023 – insight diário – caFé da manhã

O Sol

e Mercúrio

continuam conjuntos ao redor dos graus 10º/11º de Caranguejo,

o que me faz pensar imediatamente nos Estados Unidos

e

(desculpa lá fazer disto pessoal)

no meu próprio Saturno natal.

11º de Caranguejo é o grau correspondente à data da Independência dos Estados Unidos e o grau ocupado pelo Sol todos os anos a essa data

(nascido a 4 de Julho, lembras-te?)

e também o grau onde estava Saturno quando eu nasci.

É também o grau onde vai cair a Lua Cheia de amanhã, que estará a 11º de Capricórnio em oposição exacta ao Sol a 11º de Caranguejo,

trazendo provavelmente ainda mais iluminação a zonas de sombra,

revelações,

clarificações

e apontando muito claramente o que não podemos deixar de ver.

É (será) uma Lua Cheia muito ligada à Maturidade e à Responsabilidade pessoal e neste mundo, uma Lua Cheia ligada com as autoridades e as pessoas em lugares de poder, e a um nível mais pessoal

com a nossa própria direcção de Vida.

E não é só para quem tem Saturno em Caranguejo,

planetas ou pontos importantes em Capricórnio,

um Saturno muito forte,

muitas oposições e portanto

muito conflito, dualidades e ambivalências internas projectadas sobre o mundo das suas relações.

É uma Lua Cheia que nos convida, permita, e inclina a apropriarmo-nos de um maior senso de autoridade sobre a própria vida, um maior senso de poder, escolha e responsabilidade; é uma Lua Cheia

que nos traz o tema das atribuições causais, no sentido da teoria psicológica de Weiner.

Quero dizer,

a quê, ou a quem, atribuímos as razões, o poder, e as explicações para os nossos sentimentos e experiências de “sucesso”, “fracasso”, e por consequência,

de estarmos de “bem” ou de “mal” com a nossa vida?

A factores externos? Ou internos?

Estáveis, ou instáveis?

Por exemplo, se eu digo a mim próprio que chumbei no exame porque não estudei, é um factor interno instável: atribuo a mim próprio, mas por algo contigencial e passageiro. Posso fazer diferente na próxima vez: estudasses!, como diz o outro.

Se eu digo que chumbei porque sou burro, é um factor interno estável. Atribuo a mim próprio, e a algo que não muda.

Se eu digo que foi porque o professor não gosta de mim, porque estava a chover, porque a matéria é difícil, porque saíram as perguntas erradas – são factores externos: uns estáveis, outros instáveis.

E estes exemplos ajudam-nos a clarificar a noção de atribuição causal, o que não é má ideia, já que teremos todos de rever as nossas.

É sabido que os deprimidos tendem a apresentar uma atribuição causal estável, quase sempre interna, para os seus sentimentos de mal-estar; e as vítimas, uma atribuição causal externa sistemática. São sempre os outros, as circunstâncias, a má-vontade alheia, a injustiça que grassa no mundo.

Os estóicos quase não põem peso nas circunstâncias, mas nas suas próprias reacções a elas.

Etc., etc.

A ideia é que todos temos explicações mais ou menos automáticas, mais ou menos conscientes, mais ou menos habituais, para o que vai passando na nossa vida.

E esta Lua Cheia, com Mercúrio e o Sol conjuntos ao redor do grau onde ela ocorrerá, iluminando os temas da Autoridade, do Poder, da Responsabilidade, da Maturidade, e da direcção de Vida, será um convite a tomarmos ainda mais consciência de como nos conduzimos a este respeito.

E de certa maneira, estará a “falar” de saúde emocional e mental, da força pessoal para nos (re)educarmos emocionalmente a nós próprios e à maneira como vivemos emoções, e de quais são as nossas distorções cognitivas pessoais mais habituais, ou menos conscientes

(por exemplo, o pensamento tudo-ou-nada, sempre-ou-nunca;

as generalizações baseadas em pouca informação ou experiência;

os filtros através dos quais selecionamos partes – poucas – da experiência e ignoramos toda as restantes;

a quantidade de vezes que desqualificamos ou ignoramos o positivo e nos centramos nos aspectos negativos;

a racionalização emocional que consiste em transformar em argumento lógico e racional aquilo que nasce puramente do que sentimos subjectiva e emocionalmente;

as etiquetas que colamos nas pessoas e nas situações, para não termos de nos abrir, estar atentos, ou receptivos a elas;

as declarações que temos acerca do que as coisas “deveriam ser”;

a personalização das experiências, como se a Vida fosse pessoal e se tratasse, realmente, de nós e – em particular – do pouco que sabemos ou acreditamos que “somos”;

enfim… 

há uma listinha larga acerca da maneira como nos fazemos a nós próprios, e aos outros, miseráveis e largamente desconectados e em desacordo com a Vida…) 

Esta Lua Cheia, por estes dias,

provavelmente, trará também à luz da nossa consciência temas da Memória, do passado, da infância e da família (de origem e de procriação); para alguns, da Família (de Coração, a Tribo, a Rede); para muitos, o tribalismo, o nacionalismo, os sentimentos patrióticos;

para muitos também, uma revisão de como foi que chegámos aqui, quero dizer: em cima de que escolhas e decisões fomos esculpindo o nosso próprio destino, 

onde estamos,

para onde queremos ir

e como é que lá chegamos.

É um momento de balanço e reavaliação

(já para não falarmos das retrogradações todas que se preparam durante os próximos meses, e que fazem desses processos inescapáveis)

e de maior apropriação de nós mesmos, do que queremos, precisamos, somos, decidimos, e como lidamos

com as consequências das nossas escolhas,

da nossa própria vibração,

dos nossos próprios pensamentos, escolhidos conscientemente ou em piloto automático,

dos nossos hábitos de conforto ou dos medos de sair da redoma ou do reduto,

das tentativas vãs e imaturas de querer prolongar o passado,

ou de nos fecharmos ao futuro,

das maneiras como nos podemos apropriar de nós próprios e das nossas construções futuras,

ou entregarmo-nos a atribuições causais externas, passadas ou presentes.

Particularmente interessante para mim, que nasci com Saturno neste grau que virá a ser iluminado pela Lua Cheia, é comparar os símbolos sabeus sucessivos que são activados em sequência, todos os anos, por estes dias:

um grande diamante, ainda não completamente lapidado;

um palhaço a fazer caretas;

e a mulher que toma conta de um bebé que se revela, pela sua aura, a encarnação de um grande educador.

Para quem tome algo de superior, transcendente, universal, simbólico, transpessoal, e que vibra muito além dos nossos pequenos dramas pessoais como Fio Condutor ao pensamento, à reflexão, e à “evolução” pessoal, esta sequência de símbolos é muito sugestiva e reveladora do Trabalho que estamos a – e temos que – fazer por nós adentro, por nós abaixo:

Entre o diamante por lapidar que todos nascemos a ser, e a reencarnação de sábio a que todos podemos chegar, há um palhaço a fazer caretas.

Espero, sinceramente, que te lembres que às vezes o sorriso do palhaço é falso, às vezes as caretas são teatro, que todos usamos máscaras no circo, e que no fundo no fundo de um palhaço muito divertido

pode existir um homem profundamente triste, comprometido com a sua missão de trazer Alegria e Sorrisos ao Mundo, e às vezes

às suas próprias custas *

… boas palhaçadas!, Gente Boa, que amanhã – amanhã!

há-de nos renascer, a partir da inocência do bebé em nós, a reencarnação de um Grande Mestre

que nos há-de vir ensinar que não há muito mais a fazer senão

tocar o Coração,

Servir,

Sorrir

e Amar *

PS: e por falar em palhaços, estou mesmo muito curioso com a Vida nos Estados Unidos por estes dias. Vou ver se encontro informação, mais além dos orgãos oficiais de propaganda que insistem em enfiar-nos pelas goelas abaixo o que querem que nós pensemos que é a “realidade”. 

Mas isso sou eu, que sou “teórico da conspiração” 😉