Dias – poucos – depois do Samhain (aka, Halloween modernamente) – que assinala a entrada na época mais “escura” do ano e o estreitamento do véu que separa o mundo dos vivos do dos mortos,
com Mercúrio, Marte e o Sol a fazerem a travessia pelas águas profundas de Escorpião,
e a Lua, hoje, a transitar Caranguejo,
temos reforçados os temas da(s) Água(s), a memória, a família, os antepassados, o lar, as heranças, o mundo interior, o recolhimento, e quem sabe
– a visitação dos, e aos, nossos próprios antepassados.
É possível, para não dizer provável, que muita actividade onírica nos tenha transportado no tempo e a visitar familiares, próximos e distantes, pessoas – entidades – da nossa história, família, biografia ou memória:
(tens notado isso nos teus sonhos das últimas noites?)
e é provável que, tal como o tempo (cronológico, e também no sentido de “clima”), estejamos todos a ser convidados à interiorização,
a honrar e prestar atenção àquilo que é antigo, anterior, histórico, mnésico, quem sabe
– edificante do que, e de quem, somos hoje, embora – sejamos puro potencial em permanente expansão, – somos também o fruto das nossas memórias, experiências, e ligações
e este é um tempo de as honrar e revisitar,
aproveitar o melhor das heranças que legámos a nós próprios para o futuro,
recordar a frase do Aristóteles (“a memória é a escriba da Alma“),
e não nos determos demasiado – apenas o suficiente – no passado; apenas o suficiente para o consciencializar,
nem nos projectarmos demasiado no futuro – como o faríamos, com estas energias, para já, por enquanto? –
o que é outra forma de dizer,
voltar a Casa, estar Presente,
e disponível
a integrar *
Fazermo-nos Presentes a nós mesmos, e a todos quanto vivem dentro de nós, e através de nós,
para os honrar também
com aquilo que fazemos das nossas vidas.
Amanhã o Sol forma oposição a Júpiter e mais à frente, no mês, diferentes – vários – planetas formarão aspecto a Urano:
já chegará o tempo de nos projectarmos nessa dimensão a que chamamos “futuro”, que se formos a ver bem, não é mais do que o prolongamento, continuação e consequência deste eterno Presente em que vivemos e em que o criamos (ao “futuro”), assim como
nós, hoje, aqui e agora,
somos o prolongamento, o resultado, a continuação daquilo que nos fez, e trouxe, até aqui, e a que chamamos “passado”;
somos um eterno presente a ter lugar entre essas duas ideias: passado e futuro.
Assim possamos também ser um terno Presente para o momento presente:
momento a momento, um balde que se preenche e renova pela abertura
e fertiliza por onde passa ao libertar os fluidos que vai largando
pelo furo *


