Há duas coisas de que gosto para dar conta (de pelo menos um dos ângulos de abordagem) das energias deste(s) dia(s):
gosto da expressão “dar despacho”,
e gosto da polissemia da nossa língua.
“Dar despacho” significa não só resolver, dar conta, tratar, arrumar, encaminhar, mas “despacho”, em particular, também implica pressa, urgência, rapidez. E no limite, eficiência.
Assim me parecem as energias do dia:
a Lua em Carneiro,
Mercúrio retrógrado em Capricórnio,
Vénus aplicando à oposição a Urano em Touro,
Marte em Sagitário a aperfeiçoar o trígono com o Nódulo Norte em Carneiro,
o Sol mesmo, mesmo nos últimos graus de Sagitário – e os últimos graus de um Signo parecem estar sempre associados a um certo senso de urgência, culminar, ou emergência:
e todos estes, cada um à sua maneira, são ingredientes que em conjunto poderiam ser sintetizados na expressão “dar despacho”.
Explico-me
(um pouco):
esta retrogradação de Mercúrio por Capricórnio parece trazer a necessidade, e a oportunidade, de resolver questões pendentes, nomeadamente práticas, profissionais, legais, judiciais, oficiais, institucionais.
Por exemplo,
actualizar a morada nas finanças, pagar multas de trânsito, pagar contas antigas, regularizar a situação na segurança social, identificarmo-nos às autoridades, despachar coisas da alfândega – este tipo de coisas.
Às vezes, e de certa maneira, as matérias, os assuntos, e as áreas de vida regidas por um Mercúrio que entra em movimento retrógrado parecem “desandar”, começar a andar para trás, e de certa maneira – se Capricórnio é ordem e controlo, uma retrogradação pode bem ser descontrolo, caos, imprevisto, inesperado:
como uma despesa que não estávamos à espera, uma notificação de que não tínhamos ideia, uma conta antiga com que não… contávamos.
Se Mercúrio rege a Casa 2, por exemplo, a retrogradação de Mercúrio pode significar um esvaziamento de recursos. Se rege a Casa 7, dificuldades relacionais. Se rege a Casa 6, de saúde ou trabalho.
Coisas assim.
Então,
esta retrogradação de Mercúrio por Capricórnio parece trazer a necessidade, a oportunidade, e ser o tempo de nos pormos em dia, pagarmos dívidas, e de certa forma, aproveitarmos o tempo para pôr o que for necessário – e possível – em “ordem”, para que, mais tarde, a seu tempo, possamos “avançar”.
Agora,
à retrogradação de Mercúrio temos de adicionar velocidade, impaciência, urgência, imprevisto, subitamente, inesperado, aceleração, imponderável, pressa, inevitabilidade, entusiasmo, gás, fogo (como em “fogo na peça”) –
– que são a prenda das restantes energias que elenquei (Lua em Carneiro, Marte em Sagitário, Sol nos últimos graus, Vénus/Urano – lembras-te?, do que escrevi lá em cima?).
Então,
eu não me surpreenderia se te visse a dar despacho.
A lidar com o que tem de ser – e o que tem de ser tem muita força.
A despachar.
Pela positiva das positivas,
alegrar-me-ia se te visse com um “projecto” entre mãos, ou melhor:
se te soubesse a saberes que tens um projecto entre mãos, como escrevi
– sei lá, a semana passada? –
e a incluí-lo a meio de tudo, conforme possível, daquilo a que tens de dar despacho.
Mobilar uma casa, decorá-la, ou fazer obras;
construir um galinheiro, um telheiro, um abrigo;
criar, encontrar, construir uma nova fonte de rendimento;
escrever um livro;
arranjar as prateleiras da dispensa;
pintar um quarto;
organizar um grande evento;
planear um curso, uma viagem, ou o próximo ano;
combater uma doença, a preguiça, ou os maus hábitos;
dar apoio a um familiar doente – ou a uma família inteira;
etc.:
as opções são tantas quantas as possibilidades de ser gente e agente de boa-vontade,
criatividade, inovação, renovação, e intencionalidade:
mais.
No final do ano Júpiter passa a directo,
pró ano entra em Gémeos
e há-de haver uma qualquer área da tua Vida de onde te virão ainda mais bençãos:
acho.
Mas para já, é Mercúrio retrógrado em Capricórnio
e mais meia-dúzia de apressados
(apreçados? apreciados?)
a querer dar despacho *


