Estes dias, hoje em particular,
trazem testes à paciência – e à coragem -, à visão de longo prazo, e à capacidade de permanecer centrado
dedicado como um fiel jardineiro ao cuidado do próprio jardim,
enquanto em redor há caos, urgência, debate, conflito e oposição
ou no mínimo,
desafios e contrariedades ao nosso ritmo, aos nossos planos, ao nosso estilo, ao nosso desejo, aos nossos apegos, às nossas preferências, às nossas visões, às nossas regras, às nossas conveniências, e à nossa necessidade de “paz” – à nossa maneira 😉
Mas ao mesmo tempo,
estes dias trazem testes à capacidade de voar e de se elevar acima do ruído e da dissensão,
de manter a perspectiva no longo, médio e futuro prazo
reconhecendo horizontes e metas mais amplas rumos às quais nos alçarmos
libertando-nos e desembaraçando-nos a nós próprios
das complicações e emaranhamentos nos quais damos por nós
quando no fundo, no fundo,
só queremos paz simplicidade
– e as coisas à nossa maneira,
claro *
E até podemos perceber, por estes dias,
como são os nossos desejos e apegos, e não o resto,
o que nos aprisiona, atravanca, e atrasa.
Ou pesa.
Como às vezes é da nossa insistência e rigidez que nasce o nosso próprio sofrimento, e no entanto,
se sofremos,
é porque no fundo, no fundo,
não estamos felizes –
e se não o estamos,
é porque nos estamos a negar – a nós próprios, reforce-se –
algo de essencial para prazer do nosso Espírito.
Tenho uma proposta para ti:
observa bem a Vénus no teu Mapa de nascimento, e diz-me lá:
A que loucura, prazer, aventura, compromisso, forma de amor pessoal egoístico e lazer
(que profunda responsabilidade pessoal por si mesmo!)
podes estar a fugir,
a adiar,
a renegar
a justificar racionalizar ou a querer impôr a tua própria forma de satisfazer ou saciar
se te lembrares que “desejo” é apenas uma de muitas formas possíveis de procurar saciar algo de mais fundamental, a que chamarei “necessidade”, por exemplo:
tens uma necessidade chamada “sede”,
e tens desejo por um sumo de ananás com folha de hortelã – e ao lado, a água, que não sendo o que tu desejas de momento, saciaria igualmente (e de forma mais fundamental, e com menos açucares, contrariedades, dificuldades, ou demoras) a mesma necessidade.
Mas o que tu queres é sumo de ananás e tem de ter folha de hortelã, fresca e crocante, e ser servido num copo alto adequado a sumo, e se demora – ou a folha está murcha, ou não há hortelã,
tu atiras-te ao ar.
Claro que se souberes Astrologia dirás “não sou eu, é o Marte em conjunção a Urano a ser activado pela Lua, agora mesmo, em quadratura com tudo, e eu ou expludo, ou sinto-me miserável, e eu recuso-me a ser uma vítima porque eu vou enfrentar todos os inimigos que me frustram e destruí-los a todos com o meu bafo de dragão, ou então
vou-me embora porque eu não tenho nada a perder”
Tens, tens; quanto mais não seja, já perdeste a paciência, a tolerância, o centro, a abertura, a gentileza, a humildade, disponibilidade para o que a Vida traz,
e mais importante:
perdeste a possibilidade de beberes água e resolveres o teu assunto,
com alguma flexibilidade engenho desapego relativamente à forma pela qual acabas por saciar a necessidade fundamental
mais além do desejo original
e também passaste ao lado da grandeza da tua própria Alma,
que reconhece que o essencial é a sede
e não cada uma das formas específicas, particulares, relativas – e todas elas imperfeitas –
de saciar a sede.
A tua Alma tem sede,
a tua personalidade desejos,
e compete-te a Ti renegociar entre os teus valores, desejos, necessidades e opções para descobrir como é possível sacrificar um desejo
para atender uma necessidade.
Volta a olhar para a Vénus no teu Mapa de nascimento:
“ela” também te revela o que é que te fará, por estes dias, atirares-te ao ar;
claro que há muitas maneiras de uma pessoa se atirar ao ar:
pode explodir de contrariedade e indignação, frustrada, tropeçando em, e a cada, novo momento de vida
– ou então pode abrir as asas e o olho do espírito
e alçar-se a voar.
Lá de cima, vistas do céu,
todas as coisas parecem mais pequenas, à medida que ganhamos nós perspectiva, proporção e contexto
– especialmente as pretensões, desejos, e lutas
vai ficando tudo mais pequeno
à medida que uma personalidade se abraça à Alma
aceita levantar os pés do chão/pântano dos desejos pequeninos
e aprende a Voar *
Até à próxima Lua Cheia, no dia 28, fica dupla, triplamente atent@:
és um Laboratório onde aprendes a Amar e Orar, ou por estes dias,
a distinguir o querer do precisar,
e o viver rasteirinho
do aprender a Voar.

