21 de Junho de 2023 – insight diário – caFé da manhã

Hoje

é um dia crítico, em vários sentidos;

um dia de culminar, e transição.

Convida-nos a olhar para os fins de ciclo, os fins e as despedidas necessárias,

as nossas resistências às transformações necessárias

e a necessidade de recuperarmos alguma forma essencial de poder

sobre o que depende de nós, nomeadamente,

o poder para lidar com o que É,

independentemente do que gostaríamos

que fosse.

O Sol, logo à tarde, ingressa no grau 0º de Caranguejo: é o Solstício de Verão no nosso hemisfério, o dia mais longo do ano, e simboliza a vitória da Luz sobre as trevas.

Mas antes disso,

está no último grau de Gémeos e numa relação difícil com Plutão, que é como quem diz,

a integrar as dualidades inevitáveis de que a Vida é feita, 

as que nem sempre assumimos, encaramos, 

e de que nem sempre gostamos.

Gostamos

de estar à altura de nós próprios, no nosso melhor:

como é que lidamos quando nos falhamos a nós mesmos?

Gostamos

de sucesso, ganho, definição, luz, poder;

como é que lidamos com o que sentimos ou rotulamos como fracasso, indefinição, trevas, e impotência?

Queremos 

uma boa noite de sono;

como é que nos violentamos e sofremos e nos angustiamos e nos obrigamos a dormir, se não conseguimos dormir com uma insónia?

Três gramas de magnésio depois, duas de melatonina e cinco chás de camomila depois,

continuamos às voltas às voltas amaldiçoando o momento porque tínhamos na cabeça que deveríamos estar a dormir.

Quero dizer,

nem dormimos,

nem nos abrimos ao momento e a tudo o que ele nos poderia trazer, se não estivéssemos apenas, e tão, focados em querer dormir.

Como é que dançamos com a Vida, momento a momento, sem tropeçar nela querendo que ela seja (fosse) outra coisa – naquele momento?

Podemos reconhecer a nossa falta de flexibilidade, e maleabilidade, perante as circunstâncias e os acontecimentos,

a nossa tendência em querer encaixar, e encaixotar, as coisas que insistem em ser elas próprias apesar de nós termos outros planos para elas?

Podemos dançar à volta em vez de colidir de frente?

É preciso estar muito centrado para andar a desfrutar da periferia, e na periferia, quanto mais vamos para um lado, mais somos puxados para o outro, como um pêndulo, e não será essa uma forma da Vida nos recordar

que é no Centro que está a virtude, e estamos nós, apesar de nunca estarmos nem permanecermos muito tempo no mesmo sítio?

Podemos nós remar o barco da nossa vida com dois braços,

o da Vida e o da Morte,

companheiros inseparáveis,

e guiá-la com dois olhos

– o do rigor, e o da compaixão, o do pai e o da mãe, o da firmeza e o da maleabilidade, o da luz e o das trevas, o do anjo e o do demónio –

para nos ser mais fácil, para não dizer: possível, dançarmos e sermos embalados pelos ventos?

Que o vento que vem da montanha nos traga clareza.

Que o vento que vem do mar nos traga liberdade.

Que o vento que vem do deserto nos traga o silêncio.

Que o vento que vem da selva nos traga a memória.

Que tudo possa ser reconhecido como vento, brisa, tempestade ou ciclone

passageiros.

Que tudo possa ser abraçado como passageiro.

Que tudo seja onda que passa,

atravessa,

e passa.

Que tudo o que é impermanente possa ser reconhecido como tal.

Que cada Um de nós possa habitar a sua casa iluminada enquanto coisas acontecem à volta,

enquanto escrevemos no nosso diário e os ventos sopram lá fora.

Que venha o calor. O frio. A chuva. E a seca.

Que venham as estações, a próxima estação.

Vem aí a próxima estação.

Possamos nós saber despedirmo-nos também desta *