24 de Junho de 2023 – insight diário – caFé da manhã

Hoje

é o dia favorito do ursinho Pooh, e seguramente um dos meus preferidos também;

a diferença

é que o ursinho Pooh referia-se a “hoje”, qualquer Hoje,

e eu 

falo especificamente do grau que o Sol atinge regularmente, previsivelmente, todos os anos nesta data.

É o grau 2º para 3º de Caranguejo

por motivos íntimos e pessoais (Caranguejo ahahahah) e que não partilharia aqui

se não estivesse, todos os anos neste dia, com o Sol em trânsito em trígono a Urano natal exaltado a reger-me a Casa 7, que é a do(s) Outro(s), e se Urano não fosse como é: democrático, colectivo, e impessoal.

Daí a sua associação a Aquário, às redes, aos grupos, e à impessoal e objectivamente inteligente vida do Espírito, expressa como “a mente de Deus”.

E como Inteligência implica reconhecer a qualidade específica de cada arquétipo, e honrá-lo e expressá-lo da melhor maneira que nos for possível – de todas as maneiras que nos forem possíveis,

deixa-me partilhar alguns dos meus insights e motivos para gostar em particular deste dia, e desta data – deste grau, enfim, que o Sol ocupa regularmente todos os anos nesta data.

Primeiro, porque me faz trígono a Urano natal; Urano é o regente da minha Casa 7 e o Sol da minha Casa 1: o que me põe, temporariamente, em boas relações com os outros. As relações fluidificam, fluem, tornam-se como nasceram para ser: Aquarianas. Desapegadas. Inteligentes. Autênticas. E fluidas. No strings attached; verdade e liberdade. Leão e Aquário em mim – e portanto, na minha experiência de Vida – encontram um lugar para dançar um com o outro. Sol e Urano. A individualidade, própria e alheia, dão as mãos e dançam ao seu próprio ritmo, numa coincidência temporária e feliz. Quando houver quadraturas há tropeços e tensões. Mas por agora, e só existe agora,

está tudo bem.

Tudo está verdadeiramente bem.

Até que deixe de estar, quero dizer: até que as manifestações próprias da Vida se me tornem – novamente de forma temporária – inconvenientes, desafiadoras, e contraditórias ao meu desejo, à minha natureza própria, e às minhas zonas de conforto.

Como se a Vida nos convidasse permanentemente a dançar diferentes ritmos, ou assim, e cada Um de nós tivesse aqueles que lhe são mais naturais, próprios, e através da contrariedade pudesse descobrir mais acesso a mais possibilidades de ser,

se ao menos colaborar com a dança própria de cada momento.

E não é isso Liberdade? A capacidade de responder, com Coração, a cada novo momento de Vida, sabendo que a Vida é momento a momento, e que cada momento é novo?

– e que sempre será assim, do berço à cova? –

Outro motivo para eu gostar do grau que o Sol ocupa hoje, todos os anos neste Hoje que sempre se renova sem nunca se repetir, mas que ecoa sempre algo de fundamentalmente e essencialmente único, específico, e “imutável”, e “essencial” (a energia própria destas energias, e desta geometria)

É que este grau simboliza o homem que conduz um trenó, ou um veado, pelo meio da neve – símbolo da superação permanente das nossas próprias limitações, ou das limitações das circunstâncias que estamos destinados a atravessar, vencer, e romper se queremos Viver e continuar a avançar, a experienciar, e a descobrir.

Momento a momento, estamos sempre a descobrir novos constrangimentos e limitações que nos obrigam a mobilizar todos os nossos recursos para os ultrapassar e vencer; por muito estranhos ou difíceis que nos pareçam.

Mas o Coração humano transporta essa informação, essa necessidade, e esse Poder; e este é o símbolo – para não dizer, o momento – desse exercício de Vontade pessoal para nos puxarmos a nós próprios através da neve e dos desfiladeiros apertados do nosso próprio destino.

Do lado de lá,

paisagens novas nos aguardam.

Mas temos de continuar a avançar através dos estreitos.

Felizmente – ou melhor, Graças a Deus – por estes dias encontramos também Marte, o deus da guerra, do conflito, da coragem, e do confronto – da agressividade saudável ou da destrutividade, consoante cada Um o viva – em quadratura a Urano, planeta da liberdade, do movimento, e do progresso.

Significa

que estamos todos a ter oportunidade de confrontar e vencer limitações antigas;

e cumpre lembrar que essas “limitações” não são, na maioria, representadas (apenas) pelas circunstâncias; muitas vezes, essas limitações são internas e têm a ver com a nossa incapacidade relativa de nos posicionarmos, de escolhermos, de arriscarmos, de nos confrontarmos a nós próprios e nos propormos à auto-superação dos nossos impedimentos, artroses, rigidezes, cobardias, demissões, e auto-abandonos

– como se secretamente acreditássemos que não temos que, não podemos, ou não temos como fazer nada por nós próprios; que é possível viver assim para sempre, ou que alguém nos virá salvar de nós mesmos

(não esquecer que antes de ser símbolo da Mãe, Caranguejo é o símbolo do bebezão dependente à espera – e a depender – da mama).

Então, embora pudesse continuar a elencar razões para gostar tanto deste Hoje que hoje, em particular, é hoje,

prefiro exortar-nos a ter a coragem de nos atravessarmos a nós próprios através dos desfiladeiros dos nossos próprios apertos e destinos:

a sorte compensa os audazes,

abençoados os que ousam,

verdadeiros Seres Humanos

os que (se) Amam o suficiente,

e se transcendem

na busca de novas vistas, visões,

e possibilidades de Ser *