Hoje
algo atinge o seu limite
e vira noutra coisa,
muito mais dócil e suave e easy-going:
mas pode ser que este movimento seja sentido
como a urgência de libertar, deixar, eliminar, abandonar, cortar em definitivo com qualquer coisa
– da nossa relação connosco? da nossa relação com os “outros”? do nosso amor-próprio? da nossa relação com o dinheiro, o prazer, as compensações secundárias; da nossa maneira de nos sentirmos e fazermos felizes e de fazermos felizes os outros,
da nossa maneira de buscar amor, aceitação, ou de nos encaixarmos nos valores dos outros
(o que já ninguém aguenta!)
e o que será que será que é urgente deixar para trás
– será uma atitude? é que não é por partir um espelho que se muda o reflexo – a imagem – que os espelhos nos devolvem: é só trocar de espelho, e a imagem a reflectir será invariavelmente a mesma, mais ou menos distorcida pela especificidade do espelho que a reflecte agora
– há espelhos com frufrus e há espelhos com cabeleira, mas
ah mas agora
está quase tão bom para percebermos que em definitivo alguma coisa tem de ser abandonada, eliminada, deixada para trás
(em nome de maiores níveis de liberdade)
como (está bom, ou quase)
para compreendermos, mais daqui a nada, quando voltarmos a olhar-nos uns aos outros mais além das dores que nos dissociam da nossa capacidade de Amar e Aceitar (são a mesma coisa)
que todos os reflexos são espelhos uns dos outros,
que somos todos reflexos e espelhos uns dos outros,
reminders ambulantes, mais ou menos amados,
de que o Amor que não encontramos “fora”
ainda não está a ser emitido “dentro” *
E que bom que é,
entrar numa fase ainda mais imaginativa, sonhadora, fantasiosa e compassiva
com a consciência de que sonho, ou pesadelo,
– o que quer que façamos com a nossa vida –
é larga,
inteiramente da nossa responsabilidade *

