Estes dias são especiais.
Quero dizer,
todos os dias são especiais, mas uns
– como dizia o Orwell no “Animal Farm”, a propósito da (des)igualdade dos animais –
são mais especiais que outros.
E estes são dias especiais.
Para quem reconhece na dança dos planetas nos Céus um espelho e um relógio,
o Sol está, hoje, exactamente a 30º de distância de Vénus (de 9º de Peixes para 9º de Carneiro), e Neptuno está equidistante de ambos, separado do Sol por 15º e de Vénus por 15º, exactamente, ocupando o lugar que conhecemos em astrologia por “midpoint”: ponto ou distância média entre dois outros planetas, e portanto, equidistante de ambos.
É um ponto que sintetiza a influência combinada de ambos, neste caso: Neptuno sintetiza Sol e Vénus. Só isto, daria um tratado. Sobre o amor humano, o amor divino, o descontentamento divino, o romance, a inspiração, e o que me vem à mente, além do mais, é a imagem/figura da musa.
Quem, ou o quê, é por estes dias, a tua musa?
Sem musa não se cria.
E Carneiro acrescenta que sem tusa não há alegria.
E o Sol em Peixes diz que sem inspiração não é dia,
e Neptuno em Peixes, que tudo abarca, suspira.
Inspiração, romance, encantamento, inebriação: arrebatamento. Uma espécie de rosa multicolorida brotando a meio da selva de cimento.
Saturno está no grau 29º de Aquário, preparando-se para mudar, inevitável e irreversivelmente, de signo quando entrar em Peixes no dia 7 de Março.
Plutão está no grau 29º de Capricórnio, preparando-se para começar a sua longa jornada de 20 anos por Aquário, assim que puser o pé (ou a primeira sombra) no grau 0º do signo do aguadeiro – o prenúncio de uma grande transformação e convulsão social, começando – eventualmente – a mostrar-nos vislumbres da próxima grande fase que, colectiva e individualmente, temos pela frente por abraçar, enfrentar, transformar, trazer das sombras à luz, e curar.
Marte já vai no grau 18º de Gémeos, recobrindo território que já havia percorrido antes da sua retrogradação – é a terceira vez que Marte passa por este grau, desta feita em definitivo, depois de já lá ter passado no fim de Setembro do ano passado (2022), e novamente, retrógrado, no início de Dezembro. É como se andasse a recolher pontas soltas, e a poder avançar finalmente com assuntos que já vêm de trás, seguramente dessas alturas, e que não tinham tido ainda antes como vingar, avançar, ou cumprir-se.
Mas está a acontecer agora!
(seria curioso evocar, por exemplo, o que andavas a criar, ou a querer, ou a pensar, e a desejar, na última Restauração da Independência – onde é que estavas no 1º de Dezembro? 😉 e já agora, a 27 de Setembro? Essas são as datas mais recentes de Marte no grau 18º de Gémeos – e estou certo de que encontras ecos na tua mente, na tua vida, e no teu passado recente)
– de caminho, e isto é importante, Marte vai fazer a sua terceira quadratura a Neptuno e isto, embora também seja divino a par de tudo o resto, é também problemático. Fala de acções sinuosas e nos bastidores, de sabotagem, de engano e sedução e meios subversivos de levar a nossa avante; em termos colectivos, penso logo no que terá realmente acontecido ao Nordstream, quem terá incendiado as fábricas, quem terá feito descarrilar os comboios com produtos tóxicos, químicos, e quem estará por detrás da encenação non-stop dos cenários geopolíticos desenhados para manter a população sob controlo, imbecilizada, obediente, assustada, dócil, controlada pelo medo, pelas notícias, pela falta de dinheiro e comida, pelas causas ilusórias e erradas, e pelo teatro de fantoches e marionetas que apresentam o mundo na sua versão simples de bons contra maus, quando os maus se calhar são os menos maus e o bons serão os menos bons?
Penso no Houdini, quando penso em Marte Neptuno. E também, por compaixão, nos otários que acreditam em tudo quanto lhes põem à frente, e ainda pagam do seu bolso o bilhete para a ilusão, e no fim: a vaselina.
Estou portanto curioso para saber quais serão as actualizações relativamente a estas coisas todas, nos próximos dias e semanas; uma coisa é certa: eu não acredito em NADA do que leio ou oiço, do colectivo, há muito tempo – e muito menos desde que Marte iniciou, por signo, as quadraturas com Neptuno; e isso é desde Setembro.
MAS
Neptuno é sonho e sonhar; é mistério e transcendência. É o funcionamento misterioso e insondável do espírito através dos vários planos de vida e manifestação. É o poder e a magia do invisível. Por isso, aproveito para estudar psicossomática, criar com o nascer do Sol, observar as minhas próprias tendências escapistas e de auto-intoxicação, para observar ilusionismos e mentiras transparentes, e as maneiras como as pessoas (incluindo eu próprio, porque queremos ser inclusivos ;-)) dão tiros nos próprios pés e se sabotam com as suas próprias escolhas e acções.
Tudo é karma yoga 🙂
E porque são tempos de Kali Yuga,
aproveito para anotar também o que de luminoso, glorioso, positivo, saudável, promotor de crescimento, alegria e Vida há para anotar:
Vénus em Carneiro aproxima-se de uma conjunção a Júpiter em Carneiro, e ambos a uma conjunção a Quiron em Carneiro nos próximos dias e semanas;
Mercúrio aproxima-se do próximo diagnóstico – e do próximo reinício – quando chegar ao último grau de Aquário e encontrar Saturno (no dia 2 de Março),
há um senso, assim, de completude de uma velha fase, de uma velha vida: estão-se-nos a morrer os velhinhos, os dinossauros, e os que mandaram e caminharam sobre a terra nos últimos anos;
ao mesmo tempo, estão-se-nos a nascer coisas muito boas, muito muito boas, para quem ao menos confie, creia, e arrisque
– e ouse viver a partir da crença e da criança mágica de que há motivos para sonhar, acreditar, e viver com alegria e entusiasmo –
é a minha exortação a “make a wish!”, “make a fuc*ing wish”,
e entrega!
É a minha exortação a “permite-te confiar, e vai!”
é a minha exortação a “vive, foda-se!”,
e vais ver como, entre sermos foddddos e fecundados,
entre mortos e feridos,
salvadores e aqueles que se salvam a si mesmos com a graça de deus,
alguém se há-de realizar,
alguém se há-de transcender,
alguém há-de se cumprir,
alguém há-de viver.
Espero que sejas Tu, porque tudo se faz com a graça de deus que és tu, e eu,
e se é com a graça de deus há-de se dar, porque deus,
ah deus
tem muita Graça *

