O dia a seguir a uma Lua Cheia como a de ontem
é uma espécie de rescaldo:
perscrutamos o que ficou, o que se deu, o que sobrou,
depois de passada a máxima tensão
o ponto de fuga, de libertação,
o alívio relativo depois da oposição
e os resquícios com que ficamos no colo.
Mercúrio afasta-se da quadratura a Neptuno,
Sol e Marte afastam-se da quadratura a Saturno,
a Lua já se afastou da oposição, formou sextil a Quiron e caminha para Vénus –
uma espécie de integração e de compreensão de como as nossas feridas são tocadas
e o quanto ainda reagimos, e a quê,
e o que é que nos dói quando nos dói.
Como é que lidamos com a frustração, a zanga, a necessidade de auto-afirmação
como é que lidamos com o medo, os bloqueios e as forças de oposição,
como é que lidamos com a tristeza de ficarmos aquém de nós próprios,
com o desapontamento,
como é que preservamos a chama sagrada que vive dentro de nós
perante a tempestade e o relento?
A parte boa de uma Lua Cheia como a de ontem
é que geralmente saímos dela com uma epifania nova, uma revelação, um insight ou compreensão:
e no caso da Lua em Gémeos,
até podemos sair com duas.
Ou mais.
É como quem acorda de um sonho (ou de um sonho “mau”, a que chamamos pesadelo muito embora tivessemos, em rigor, de nos perguntar o que é que faz daquilo isto) com uma chave, uma lâmpada mais acendida, uma sombra mais iluminada ou compreendida
– a imagem da lâmpada que se acende por cima da cabeça é tãaaaaoooo Lua Cheia em Gémeos –
(o que também pode significar que em vez de insights, acordamos com ideias novas e geniais)
e traz consigo – ao acordar de mais um sonho –
uma nova conclusão provisória
(duas!)
tipo
(estas seriam características, e boas sínteses):
“está tudo na minha cabeça”
e
“onde é que eu estava com a cabeça?”
Se hoje acordares com a sensação de que passaste por mais um anel, e que tiveste uma realização importante (ou duas), e que a imperfeição própria das circunstâncias da Vida serviu perfeitamente a perfeição do perpétuo movimento
(porque apesar de Saturno em quadratura à identidade e ao desejo – Sol e Marte – tudo é fluido, ainda assim; encontra é obstáculos regulares, e idealmente não sempre os mesmos ;-))
sabe que isso é perfeitamente natural
depois de uma Lua Cheia como a de ontem.
Teria sido mais fácil sermos só foco e força; mas parece que não era possível, com a energia dos últimos dias. Parece.
Seria sempre mais fácil se fossemos sempre uma combinação de autismo com esteróides; mas parece que não foi possível. Parece.
Porque a verdade é,
tudo o que tenhas entre 0º e 7º dos Mutáveis está a ser extraordinariamente “trabalhado” e mexido pelas energias destes dias;
e tanto é assim que até nos teus sonhos se intromete, disfarçado de pesadelos,
até nas tuas fantasias se intromete, disfarçado de realidade,
até na tua realidade se intromete,
disfarçado de importante,
até as tuas feridas te cura, disfarçado de agulha que te rebenta uma bolha
faz correr o líquido,
e tu choras,
quando pensas que está a doer
quando na realidade te está é a curar
a permitir Ver
e cicatrizar *

