29 de Abril de 2020 – insight diário – café da manhã

Na ingrata pretensão de termos algo como certo nesta Vida,

– a não ser a garantia de que ela – como nós – sempre se renova, reinventa, e muda de forma

(há quanto tempo não vês o mundo por um caleidoscópio?) –

e especialmente nesta fase, 

em plena travessia,

certo certo ou quase certo – se estamos Vivos – é que para trás ficaram já as visões antigas, já desactualizadas,

do que críamos viria a ser a nossa vida,

do que sabemos instintiva ou intuitivamente virá a ser a Vida,

ou precisamos nós de nos tornar,

se queremos estar Vivos.

Não quer dizer que tenhamos já mudado de Casa,

ou abandonado em definitivo os escombros de uma velha arquitectura social, e de mentalidade, em colapso

(é uma boa síntese destes Tempos)

Mas já se romperam, ou começaram a dissolver,

Os fios que nos prendiam – prenderam? – a esse passado.

E agora vamos em pleno voo, ou pelo menos,

Estamos a ser empurrados para a beira do precipício,

a ver se aprendemos de vez a Confiar e a Voar.

Não há como voltar atrás

(ou haverá, mais à frente, essa necessidade? – nem que seja para recuperar qualquer coisa esquecida ou mal tratada? – mas isso é para depois,

e a Vida, já se sabe, é momento a momento).

Certo certo ou quase certo, se estamos Vivos,

É que estamos a caminho de um futuro desconhecido,

Mas profundamente desejado, intuído, que nos chama

Desde dentro 

E para fora.

O único método é continuar a caminhar,

Ou aprender a voar

Abrir as asas e aderir às correntes de Ar que nos conduzem o Fogo,

O entusiasmo, a alegria, a fé.

Não é obrigatório queimar as pontes atrás de nós,

Necessário é mantermo-nos a caminho.

De modo que hoje aqui fica a oração que vais dar por ti a repetir sem dares por isso,

Pelo menos durante os próximos tempos:

É a minha adaptação de um Salmo,

Porque toda a gente sabe que na Bíblia, o Cristo és Tu e a tua Alma

Ansiando pelo reencontro consigo própria.

Reza assim:

“Oh deus, meu deus * eu velo junto a Vós desde a primeira luz.

De Vós tem sede a minha alma,

A minha carne por Vós se consome de muitas maneiras.

Nesta terra deserta, e sem caminho, e sem água,

Eu me apresentei diante de Vós, no lugar santo, para contemplar o vosso poder,

E a vossa glória.

Porque a vossa misericórdia é melhor que as vidas: por isso os meus lábios vos louvarão.

Assim eu vos bendirei enquanto viver:

E estenderei as minhas mãos em vosso nome.”

Estenderei as mãos, e avançarei meus pés:

Porque meu deus, meu deus,

A vossa Alma sois Eu,

Mesmo que ainda não me tenha reconhecido

Como tal.