Mercúrio
começa o dia já no seu signo de regência (e exaltação, na astrologia tradicional): Virgem.
Como escrevi ontem,
chegou a altura de pôr ordem na mesa e as coisas em pratos limpos;
é essa a natureza de Mercúrio em Virgem, a de analisar, corrigir, organizar, limpar e melhorar o funcionamento da Vida prática
para que o Espírito possa operar, e ter “condições” na vida “de baixo”
para se cumprir
como vida “de cima”.
O facto de Mercúrio ter ingressado em Virgem deixa, do panteão dos deuses-planetas, três em situação privilegiada, quero dizer:
puros, fortes, e com autonomia para implementarem as suas próprias agendas na vida.
São eles o Sol, que transita em Leão;
Mercúrio, que transita em Virgem,
e Neptuno, que continua a sua passagem transatlântica por Peixes desde Abril de 2011 e aí continuará até 2026 – abrindo-nos e decepcionando-nos, vulnerabilizando-nos e inspirando-nos, ensinando-nos sobre a vida invisível, subtil, e indizível – trazendo o sofrimento que se transforma em arte, a sensibilidade que pode vir a ser compaixão, e as experiências que podem vir a ser entendimento, mansidão, humildade, e aceitação.
De modo que há basicamente 3 forças puras, fortes, e autónomas por estes dias no Universo:
a do Sol, que consiste em ocupar o centro da nossa própria vida, para a viver de forma autêntica, genuína, fiel a si mesma, e na sua essência criativa, criadora, generosa, e dadivosa.
a de Mercúrio, que nos traz a necessidade de colocar ordem nas circunstâncias, ideias, ambientes, e na mente. Também nos traz a aprendizagem humilde e necessária do que significa curvarmo-nos perante o Real, mesmo que esse real não seja mais do que o resultado, ou a aparência, da manifestação das energias em formas, dando origem às circunstâncias que reflectem a natureza e a qualidade da energia, sempre subtil, apenas tornada aparente por via de circunstância, estado das coisas, acontecimento, encontro, e resultado.
Mercúrio em Virgem cumpre-se ao aprender, ao adaptar-se, ao rearranjar, e ao trazer ordem, eficiência, limpeza, pureza, a tudo com quanto entre em contacto.
Ás vezes isso expressa-se como situações que nos obrigam a uma reflexão genuína e humilde de como foi que as criámos; outras vezes, como a tomada de consciência do nível de desorganização em que vivemos; outras vezes, como o impulso de tomar todas as pontas soltas das nossas vidas e pensamentos, projectos e agendas, e começar a organizar tudo isso.
Sempre, sempre, traz o espírito exigente, contabilístico e crítico necessário aos diagnósticos, à comparação entre as nossas expectativas, fantasias, sonhos e ideais – e a realidade conforme se nos apresenta -, outras vezes é a voz crítica do grilo falante falando dentro de nós e lembrando-nos de onde, e como foi, que ficámos aquém de nós próprios,
e como vamos fazer para – apesar de não sermos nem pecadores por sermos imperfeitos, nem perfeitos por muito que no-lo exijamos a nós próprios -,
como é que vamos fazer para sermos ligeiramente melhores, pouco a pouco, dia-a-dia, escolha a escolha, oportunidade a oportunidade.
É o que os japoneses chamam de “kaizen”, ou melhoria contínua.
Auto-aperfeiçoamento, inextricavelmente ligado com auto-crítica, criticismo, olhar diagnóstico, exigência, perfeccionismo – em níveis distintos e moderados, claro está, mas a todos nos tocará um pouco do exercício de Mercúrio em Virgem para pormos as nossas vidas a “funcionar melhor”.
Consoante a Casa Astrológica de Virgem no nosso Mapa, aí poderemos encontrar uma das principais “preocupações” deste trânsito de Mercúrio – que ainda retrogradará, no final de Agosto, dando-nos uma looooonga estação de produtividade, limpeza, correcção de curso, organização, planeamento, e eficácia.
Isto, ao lado de Vénus retrógrada em Leão e a profunda reapreciação sobre o Amor, os Relacionamentos, e o que realmente valorizamos, amamos, gostamos, e nos faz feliz, prenuncia um resto de Verão de bastante trabalho interior.
Pelo menos, para quem possa, queira, e o aproveite.
Imagina que tens Leão como referência: Virgem será a Casa 2, e os assuntos relativos a finanças, dinheiro, valor-próprio, valorização pessoal, auto-estima, respeito por si mesmo estarão na ordem do dia, das semanas, e dos próximos meses.
Imagina que tens Gémeos como referência: Virgem é a Casa 4, e os assuntos de casa, família, emoções, lar, estarão na fila para serem penteados, revistos, engomados, purificados, limpos, resolvidos, e arranjados.
Imagina que tens Balança como referência, e que Virgem é a tua Casa 12; nesse caso, é uma inundação desde o inconsciente que talvez te possa ajudar a compreender os teus próprios mecanismos inconscientes de auto-sabotagem; a Casa 12 é a casa da “auto-destruição” e sempre que temos planetas a passar por lá, temos oportunidade de aceder a conteúdos que nos revelam mais de como funcionamos inconscientemente, tantas vezes contra os nossos próprios melhores interesses.
Imagina que tens Peixes como referência, e nesse caso é a tua Casa 7 que precisa de uma longa reflexão, diagnóstico e limpeza: estarás a resolver (a tomar resoluções) relativas às tuas parcerias, acordos, relações próximas, e – de uma forma geral – com o “público”. Isto pode significar que o teu parceiro está a passar por uma limpeza, que estás tu a fazê-las, ou então, simplesmente, dás por ti a tropeçar em cada vez mais coisas que se tornam, ao acumular e avolumar, cada vez mais difíceis de ignorar, varrer para debaixo do tapete, ou tolerar.
E regressa sempre a Si mesmo, porque é a cada Um que lhe cabe o seu próprio quinhão de experiência criada, reflectida, e atraída de volta,
como o karma 🙂
Então Neptuno em Peixes inspira-nos a sonhos, ou leva-nos a afogarmo-nos em fantasias;
o Sol em Leão (só) quer uma Vida criativa, autêntica, na Luz, e em Verdade;
e Mercúrio em Virgem vem de pano na mão para limpar as nódoas, e puxar o lustro à qualidade de todas as coisas boas que já soubemos atrair e criar para as nossas vidas;
Vénus continua retrógrada, a diagnosticar onde foi que tomámos “brilho” por Luz, promessa por “delivery”, migalhas por Amor, e a meio disso tudo,
onde anda o Coração?,
onde anda
o nosso delicado Coração
que por invicto que seja na sua natureza,
às vezes precisa de mimo, atenção, festas na juba, e a promessa de que nunca mais voltaremos a deixá-lo esquecido e caído
na rua da amargura
e que por Amor,
o Amor responde, e se não responde:
não o é *


