A Lua, hoje,
Está envolvida com assuntos da Terra
e o Sol, que não forma aspectos maiores com outros planetas,
está envolvido consigo próprio.
Como podemos ler isto?
Talvez uma parte de nós esteja dedicada a cumprir e levar adiante as tarefas do mundo prático e outra parte de nós noutro lugar,
entre o ausente, o indisponível e o inacessível,
fazendo dos assuntos do ego, e do Coração (são dois níveis do mesmo símbolo)
um assunto em si próprio, sem ligações
– de momento –
à vida encarnada.
Como uma espécie de ilha dentro de nós próprios
sem istmos
nem ligações.
E no entanto a vida concreta continua a correr:
Lua, Mercúrio, Marte, Júpiter, Urano e Plutão em signos de Terra:
Quem disse que o mundo prático é pouco,
Ou que não se pode funcionar
Mesmo estando ausentes?
Perguntem a qualquer criança que teve o pai ausente a trabalhar a vida toda
Se tem pai, se teve pai,
Se vos disser que sim, está a mentir.
Se vos disser que não, está a mentir.
É assim que estamos nós;
O que quer que digamos, é incompleto,
Pois definição alguma dá conta do Real *
E no entanto, temos Mercúrio em Virgem a preparar-se para se opor a Saturno em Peixes,
A exigir definições e limites impossíveis,
Talvez necessários,
Mas de momento
Aparentemente impossíveis
De definir.
Observa, na tua própria vida,
Onde é que estão os limites a ser impostos, exigidos, renegociados,
Impossíveis de deixar definidos ou clarificados
Isto é,
Se alguém tem como saber, sequer, o que são limites
e o que isso quer dizer *
Desenhar linhas na areia,
Sabendo das marés
Inevitáveis;
O sábio sabe do fluxo, o tolo quer construir castelos na areia
À prova da eternidade.

