Hoje
o Sol, ao nascer, era testemunha de um diálogo; e onde há diálogo, há ponte e ligação – há mudança e movimento, translação, transferência:
transição.
Mercúrio no grau exacto de Urano, libertando – de certa maneira – a mente do tempo e do espaço locais,
inspirando-a – quiçá – com laivos e vislumbres do sem tempo, da mente cósmica, da inteligência superior que supervisiona, permite, assiste, é testemunha de todas as ligações entre tudo quanto existe, existiu, ou existirá no “nosso”, e a seu, tempo,
como quem vê o tempo, os acontecimentos, as relações e as situações “de fora” e portanto toda a teia das suas intrincadas inter-relações
– a natureza das relações entre as peças do puzzle que a nossa experiência e mente limitadas só vão percebendo fragmentariamente, pouco a pouco, separadas no tempo e no espaço à medida que se manifestam particular e topicamente,
mas que de repente podem ser percebidas todas em conjunto, e em simultâneo, libertando-nos das percepções limitadas e particulares e revelando-nos subitamente o modo como tudo está interligado,
nomeadamente,
os vários tempos do nosso existir:
o passado, o presente, e o futuro
tudo junto
como um só
num só tempo
e no mesmo instante.
Relação.
Entre tudo.
O que fui. O que sou. O que serei.
O que foi. O que é. O que será.
Ao mesmo tempo.
Ao mesmo tempo,
ao longo do dia de hoje
a Lua muda de Signo,
Vénus muda de Signo,
Mercúrio muda de grau,
Marte muda de grau,
Quiron muda de grau,
Vénus opõe-se a Plutão,
E o senso que me transmite, tudo isto,
é o de uma mudança profunda, mas que pode ser largamente imperceptível
(a não ser que estejamos profundamente em contacto, e não distraídos pelos acontecimentos e estímulos exteriores)
que se parece, para mim,
com desenterrar qualquer coisa de valioso do passado,
ligá-lo com o presente e o futuro,
fechar e deixar descansar algo do antes,
– sei lá, como quem agradece aos seus mortos e lhes diz – descansa em paz, tu agora vives em mim
e depois vai para a Vida ainda mais rico e preenchido do seu próprio passado e da sua própria história,
como quem vai para a Vida enriquecido dos seus próprios antepassados, ou amores passados,
honrando a sabedoria e a herança recebida lá atrás, lá de trás,
e se prepara para viver uma vida ainda mais boa, ainda mais completa,
e faz um poema de agradecimento
como preparação e antecipação de tudo quanto ainda fará,
de tudo quanto ainda cantará, proclamará, e dará
de Si
e depois se prepara para aclarar a voz do Coração
e se põe a cantar
o quanto a Vida é magnífica
se pudermos (a)prender,
(a)largar,
(e) (a) Amar *
Quantos, e quanto, vive dentro de Nós, de cada Um de Nós?
todos, e Tudo, o que amamos;
e o que é Amar?
Amar é compreender.
Logo,
Amar e compreender
são tudo quanto é necessário
para Viver;
Viver é necessário para Amar,
Amar para Viver,
e Viver para Crescer *
Vivemos quando Amamos,
Amamos quando compreendemos,
Compreendemos quando Amamos,
e quando Amamos e Compreendemos:
Crescemos.
Amamos quando Damos,
e só podemos Dar
quando Amamos,
e Compreendemos.
E só podemos Compreender quando Amamos e Compreendemos, e assim Aceitamos
tudo o que nos deram, mas que só nós
ao Amar e Compreender
Recebemos *


