Hoje de manhã cedo, ao redor da Lua Cheia,
estava eu sentado na sanita com a Jasmim sentada ao meu colo com as suas duas filhas ao colo
(a Leonol e a Calolina)
quando a sua sabedoria inata e espontânea se sai com esta:
já viste, pai?,
a Leonol e a Calolina estão ao meu colo,
eu estou ao teu colo,
tu estás ao colo da sanita,
a sanita está ao colo do chão,
e o chão ao colo da Terra
– e eu acrescentei, verbalizando a realização que acabara de ter:
e a Terra, já viste filha,? está ao colo de si própria.
E depois dei por mim a pensar no simbolismo da Lua Cheia do signo das relações,
da força e da inevitabilidade de sermos nós próprios em Carneiro e sermos sustento das nossas relações,
de todas as nossas relações,
pensei naquilo e no quanto e em todos quanto nos sustentam,
na capacidade de nos sustentarmos a nós próprios perante as aragens e os vendavais da Vida,
na Terra-Mãe como exemplo e modelo de estabilidade, auto-sustento, generosidade e força,
na importância de nos apoiarmos para sermos apoio dos outros,
e no que se apoia cada Um enquanto é apoiado pela Terra
– e chamado pelo Céu –
depois ouvi uma das gatinhas a miar, a pedir comida certamente,
desfiz a torre de Babel montada em cima de mim, sendo eu próprio peça,
sacudi os pesos que me tolhiam os movimentos,
limpei o rabo,
e fui à minha vida
tratar dos gatos
escrever ca_fé da manhã
e assim *
Enquanto isso o Mercúrio aproximou-se um pouco mais, quase imperceptivelmente, do Nódulo Norte, com o Urano lá à frente, já à vista mas ainda inalcançável,
– apesar de ser em Touro, com resultados ainda não tangíveis,
lembrei-me que ainda retrograda antes de lhe fazer conjunção, o Mercúrio a Urano,
e pensei por isso mesmo no quanto ainda há por fazer
antes que as coisas mudem outra vez,
e no entanto,
estão sempre a mudar
enquanto nos apoiamos em nós próprios e nos fazemos disponíveis
para o que vier:
… de rabo limpo, é evidente,
porque o Nódulo Sul está a acabar de passar pelos últimos graus antes de sair de Escorpião
e ainda há um trabalho significativo de nos limparmos de mais umas m**das
– haja papel, e vontade –
antes de abocanharmos os novos pedaços de vida
que estão mesmo à nossa frente
depois de lavarmos as mãos,
largarmos a sanita,
e deixarmos a retrete *
Com sorte esta Lua Cheia, que é realização, no signo das relações,
nos ajuda a ter a visão clara e adamantina do que somos, queremos, e temos por abocanhar e defecar
e esvaziar a tripa do que já cumpriu a sua função
e já não tem nutrientes a acrescentar.
Não tarda somos todos confrontados com o que ainda trazemos nas entranhas e que uns de nós, por conveniência ou cobardia,
andamos a resistir a largar *
E a Terra, paciente, a sustentar-nos a todos, a fornecer-nos alimento e escoamento
enquanto aprendemos a alimentar-nos de Qualidade e Luz
e no resto,
a cagar *

