Hoje
é um dia especial,
crítico para Vénus.
É o dia em que Vénus atinge o último grau de Gémeos, enquanto Mercúrio transita por Touro,
com o Sol aproximando-se a passos largos de Urano em Touro,
É o dia em que Vénus ingressa em Caranguejo, quando estiver bem elevada nos céus, anunciando
uma mudança significativa na sua frequência, qualidade, e vibração
estabelecendo uma nova qualidade de relação consigo mesma, com a Alma,
transitando da dimensão mental de reflexão, pensamento e ponderação
(isto? aquilo? pontos a favor? pontos contra? razões para sim? razões para não? o que é que eu faço? o que devo fazer? o que devo escolher? o que será melhor? o que é, melhor?)
e caindo mais profundamente em si mesma, ou em dimensões mais profundas e sensíveis do seu próprio sentir, da sua própria vulnerabilidade emocional, das suas necessidades de alma mais profundas, autênticas,
naquele espaço em que a mente não só não conta, como não serve, nem sequer importa,
porque se torna disponível um nível mais profundo de inteligência, a inteligência emocional.
Enquanto transita por Gémeos, e sai hoje desse signo, Vénus pensa, mentaliza, debate-se, argumenta, analisa, compara, contrasta, e esperneia enquanto se debate com razões, causas, análises, e projecções mentais; confronta-se com os seus próprios dilemas, com o caminho das duas possibilidades simultâneas, com a insatisfação de nenhuma opção ser completa, verdadeira, suficiente, ou satisfatória:
mas quando ingressa em Caranguejo,
a mente cala
e a Alma é que sabe.
O facto de tanta coisa estar a passar ao redor de Touro, nomeadamente a conjunção de Sol a Urano, para daqui a dois dias, anunciando uma reviravolta, uma libertação, uma reinvenção, a disponibilidade em correr riscos novos, e a vivermos a partir de um novo lugar de consciência,
o facto de Júpiter se preparar para ingressar em Touro daqui por dias,
a estação de Mercúrio por Touro que ainda durará um tempo,
o Nódulo Norte aproximando-se do final de Touro
tudo aponta para a importância capital de Vénus nas nossas vidas por estes dias:
o que é que eu quero?, o que é que eu valorizo?, quais são os valores mais importantes para mim, de acordo com o quê
é que eu quero viver,
what matters most,
com o que é que se parece o jardim de que quero cuidar,
de que quero aspirar o aroma,
que sementes quero plantar
no jardim da minha Alma, da minha vida,
dos meus afectos,
da minha dedicação?
Vénus em Caranguejo tem muito que ver com aquilo a que nos queremos, em verdade e prazer, dedicar,
cuidar,
fazer crescer e frutificar;
Caranguejo ensina-nos que nenhuma criança se cria sozinha,
que tudo é criança-criação,
e que depende de cada Um de nós cuidar do seu jardim,
das suas crianças,
das nossas criações.
Afinal, é com elas que viveremos, à medida que cresçam e se fortifiquem
e o adubo, o substrato que faz tudo crescer
chama-se Amor.
A que é que quero dedicar o meu Amor, entendido
como o meu potencial de fazer as coisas crescerem?
“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa…”, como nos recorda a raposa do Principezinho:
o que amas?
Que bandeira amorosa tens tu vontade de erguer?
Do que queres cuidar,
realmente?
É a tua escolha. É a tua decisão.
Vénus regressa a Caranguejo hoje, e o coração volta a encostar à Alma, depois de ter estado tanto tempo a ouvir os desígnios e as maquinações da mente;
Não há respostas da mente para os assuntos do Coração;
a Alma sabe, porque sente.
E Vénus começa a sentir a Alma outra vez.
E todos somos recordados do que é essencial de cuidar e de amar,
e todos somos recordados de que o único Caminho a percorrer é um caminho onde exista Coração,
e cada Um de nós sabe
que Coração tem, disponível e com vontade,
de colocar
aonde
no quê
e com quem *
Hoje é um dia crítico para Vénus.
Possamos nós celebrar e honrar o Amor muito além das fantasias emocionais, românticas, materiais, de aspecto exterior formal aparente, de laços baseados na memória ou na fidelidade emocional subjectiva e inconsciente, nas dependências, nas expectativas condicionais,
e recolocar
o nosso aparelho de Saber, Sentir, e Criar
o que alimenta e tece os nossos laços nesta vida
ao sabor da Alma, que sente e sabe
que somos hóstia e alimento, hospedagem, Casa e abrigo
para tudo aquilo que escolhermos, em Amor e Consciência,
trazer para dentro do nosso Coração,
porque a tudo aquilo que amamos
nos doamos
… do que é que nos vamos fazer Alimento,
não para saciar a nossa própria boca faminta,
mas para sermos, como dizia o poeta,
pão amassado no festim sagrado dos deuses?

