Com um novo dia
como hoje
amanhece dentro de nós uma nova realização,
provavelmente
a compreensão subitamente clara de como temos andado a viver,
ou a fugir,
ou a escondermo-nos
(de nós próprios?)
e a pretender
que a Vida seja diferente, ou outra coisa,
por não estarmos nós, verdadeiramente, em contacto com o que somos.
Pode amanhecer num novo dia como este
à medida que o Sol se encosta a Urano, para deste receber flashes súbitos de realização
– e quiçá maior liberdade, uma nova liberdade, uma firme determinação em libertarmo-nos a nós mesmos dos nossos próprios embaraçamentos –
e à medida que a Lua, que recebeu a luz de Quiron, se aproxima de receber a luz de Júpiter,
um novo eu, ou melhor:
um eu mais autêntico, essencial, e profundo
– o real? –
a meio dos escombros de transes e fantasias vividas, auto-impostas, estilhaçadas
e é possível
que desta súbita realização
emerja e brote
todo um novo mundo de oportunidades
de ser mais verdadeiro, mais leve, mais livre, mais real,
mais em contacto com a delicadeza desse Coração
que andou submerso, esquecido, protegido, mal amado
enrolado em argumentos e auto-defesas de um juíz prepotente e infeliz,
solitário,
enrolado em arame farpado *
O Coração, afinal, é gentil, e delicado,
e tão bem possível que tenhamos andado com ele protegido
e na defesa
como um porco-espinho de pêlo eriçado.
Agora é fazer diferente, todas as oportunidades são nossas:
que a cada momento que respiramos nos recordemos
do que já não queremos,
do que fizemos,
do que queremos,
do que podemos,
que nos amamos,
nos perdoamos,
nos abraçamos,
e aceitamos com Alegria
as suas Vontades
como nossas.





