9 de Janeiro de 2020 – insight diário – caFé da Manhã

O “dia crítico” (dia 6 de Janeiro) que testemunhou a chegada de Marte, planeta de acção e conflito, ao último grau de Carneiro, signo de confronto e impaciência – e a imagem de marca desta combinação (o Capitólio em chamas) foi apenas o prenúncio, parece, de uma certa explosividade “marciana” que paira no ar e nos acompanhará durante algum tempo.

De certa maneira, isso pode ser extraordinariamente libertador; mas também pode ser extraordinariamente frustrante, dependendo de como saibamos e consigamos manejar estas energias de forma mais ou menos consciente nas nossas vidas.

É que vejamos: Marte saiu de Carneiro, onde atinge uma expressão muito pura, e manifestamente forte, da sua natureza bélica e confrontacional – e depois de aí ter feito uma longa estação durante 6 meses.

E acaba de entrar em Touro.

Em Touro, Marte não se sente particularmente “em casa”, porque a natureza desse signo não é muito atreita às pretensões, métodos e objectivos de Marte: fazer o que quer, à sua maneira, rapidamente, e de forma decidida. Irreflectida, no pior; espontânea e destemida, no seu melhor.

Então tradicionalmente associamos à posição de Marte em Touro uma certa frustração, não porque não seja capaz de funcionar e concretizar (duas funções de Touro), mas porque o seu “método” e ritmo de o fazer não é decalcado da psicologia de Marte; em Touro, signo de Terra Fixo (por contraste a Carneiro, que é Fogo Cardeal) Marte precisa “desacelerar”, concretizar, colaborar com a natureza e a dimensão da Terra, ser prático, sujeitar-se aos factores mais próprios da Terra (o tempo e o espaço, quer dizer, a lentidão e a distância), e dificilmente consegue ser fiel à natureza mais ígnea, fogosa, idealista, instantânea e imediata de Carneiro.

Marte em Touro pode ser o motor que demora a arrancar, e depois – com a inevitabilidade e a elegância subtil de um rolo compressor, avançar por aí afora, lenta mas inexoravelmente, empurrando e levando lentamente tudo à sua frente, pacientemente, até ao destino final. Difícil, depois de ter arrancado, é parar novamente – ou mudar de direcção ou de ritmo, na verdade, e essa é a expressão da dimensão Fixa daquele signo de Terra. Teimosia, apego, cabeça dura, rigidez, lentidão, resistência a ser conduzido ou manobrado, recusa obstinada em adaptar-se ou em ser desviado da sua rota pré-determinada.

Slowly but surely, Marte em Touro insiste em levar a água ao seu moínho – mas da sua maneira, a seu ritmo, e sem tolerar imposições exteriores, bullying, mudanças de última hora, ou pressas – 

– tudo coisas que Marte em Carneiro adora, porque é disso que se alimenta. E é da sua natureza, aquando em Carneiro ter o ritmo e o ímpeto de as acompanhar – e até, iniciar.

Mas agora Marte está em Touro e as possibilidades (i.e., as “circunstâncias” e a forma actual das coisas) podem não ser do seu agrado.

Além disso, Marte está a caminho de encontrar Urano, o planeta da rebeldia, da aceleração súbita e imprevista, da impaciência, do impulso para derrubar o status-quo, do inconformismo, 

e há três planetas nos céus no signo de Aquário, que é o signo de Urano – Júpiter, Saturno, e Mercúrio – este último, acabado de entrar – e todos se preparam para uma tremenda série de quadraturas entre si.

O “problema”, que não é um problema mas mais um desafio existencial e energético às nossas consciências e escolhas, é que todos estes planetas (Marte em Touro, Urano em Touro, Mercúrio em Aquário, Júpiter em Aquário, Saturno em Aquário) formam todos eles tensões entre si – entre o signo da “estabilidade” e o signo da “revolução”, entre o signo do “apego” e o signo da “liberdade”, entre o signo da continuidade e o signo da ruptura, choque, e descontinuidade. O signo que não quer chatices, e o signo que não se conforma com realidade alguma.

Should I stay or should I go é o menor dos nossos dilemas.

Vénus também acaba de mudar de signo e entrar em Capricórnio – é mais uma das energias “novas” de hoje, ao lado de Mercúrio acabado de entrar em Aquário e de Marte acabado de entrar em Touro, e é em si mesma a possibilidade de recomeço(s) – vamos ser básicos e dizer, no nosso senso de amor-próprio e auto-valorização, nos nossos relacionamentos, e na responsabilidade que temos (Capricórnio) pelo nosso próprio bem-estar e prazer.

Então como pano de fundo temos a grande tensão fracturante de Mercúrio / Marte / Júpiter / Saturno /Urano,

e começámos o dia com a Lua acabada de entrar em Sagitário, Mercúrio em Aquário, Vénus em Capricórnio, e Marte em Touro;

é o que se chama “um recomeço”.

Assim, por exemplo:

uma nova liberdade de pensamento (Mercúrio em Aquário),

uma nova dignidade pessoal (Vénus em Capricórnio),

uma nova produtividade (Marte em Touro),

e um novo fôlego (Lua em Sagitário)

senão para recomeçarmos,

pelo menos para avançarmos

de outra maneira *