Fiz assim, escrevendo isto no Facebook há bocadinho:
“Quando eu lançar o meu próximo livro,
Tu vens ao lançamento se eu te convidar?
*
… Há muitos anos, a minha avó contava-me uma história de quando ela vivia em África.
Uma vez, ela “mandou o criado” (era assim, parece, que se referiam às coisas; os brancos mandavam, e tinham a sorte de ter criados; de modo que os criados que tinham a sorte de ter brancos, passavam menos fome – esta era, pelo menos, uma das versões: não sei se a que mais convinha aos colonoscopistas, perdão, colonialistas, mas creio que também não pensavam assim tanto no facto de serem eles próprios – os brancos – posse dos criados,
nem sei se os criados tinham noção de que tinham brancos, assim, sei lá, como quem tem um chihuahua
– na vida é tudo questão de perspectiva -)
ao mar,
era a incumbência do criado,
ir ao mar atirar um gato, talvez uma ninhada, de gatos mortos
(não perguntem, que a minha avó morreu há uns anos e eu também não sei responder)
O criado saiu para ir atirar ao mar um saco com um gato – talvez mais – morto(s) ao mar,
E demorou muito tempo.
Demorou o dia todo.
Parece que só chegou à noitinha.
E quando a minha avó perguntou, mas Lourenço (disto não esqueci – do nome do herói desta estória),
Lourenço
(por um triz seria, Loirenço 😆)
Mas por que é que demoraste tanto, e o Loirenço,
tché, sinhora, tava lá muita genti,
muita genti para tirá gatos no mar
– e durante a minha infância, a minha avó fartava-se de contar esta história, e aposto que riria – continuaria a rir – até hoje, se fosse viva, e continuasse a contar-me esta história,
e eu a ouvi-la,
e ainda a oiço *
Mas isto tudo para dizer que o convite é para o lançamento de um livro,
não é para atirar gatos ao mar
quisso demoraria muito tempo
e eu tenho um respeito profundo pelo tempo dos outros,
porque sei
que é o que, de valor,
mais importante têm *
Então,
assim rapidinho,
quando eu lançar o meu próximo gato ao mar,
o meu próximo anjo às alturas,
o meu próximo livro no ‘mercado’
e a necessidade de confirmar número de presenças às urtigas,
tu juntar-te-ias para celebrar comigo
o lançamento de um livro
como quem dispara um filho para o Universo,
e sem precisar de estar na fila dos gatos?
* “
Isto, para dizer que as estórias têm a sua graça, e o seu poder.
Foi por isso que eu decidi publicar, em livro, uma estória que escrevi há muitos anos,
E tu,
Um destes dias,
Vais poder ler essa também *
Chama-se “A Viagem de um Anjo” e, believe it or not,
é sobre Ti *


