crónica de uma transição anunciada

Novo Ano, Nova Década, Segunda Vida

O início de um novo ano dá sempre tema aos cronistas; previsivelmente, fazem-se balanços e apuram-se perspectivas ao olhar para trás, como faz uma das faces do deus Janus; mas também se renovam expectativas, votos e entusiasmos, planeiam-se sonhos e objectivos, e de certa maneira – recomeça-se: tal como faz a face de Janus que olha para a frente e para o futuro.

Esta é portanto uma crónica de tema previsível; não de quem olha para trás e para a frente numa cronologia linear, mas de quem estuda e observa os arquétipos representados nos planetas e seus ciclos, numa cronologia em espiral e sem fim – e as suas correspondências nas nossas vidas.

Também se poderia chamar “Síntese da Astrologia de 2020 e anos seguintes”, em formato crónica curta. Honra, como Janus, a natureza do deus de dupla face associado a Janeiro: faz um balanço do passado, e apresenta o cadernos de encargos para o futuro.

Estamos, todos nós, cada um à sua maneira (mesmo que não o saibamos consciente e objectivamente) convocados a comprometermo-nos com um futuro que não conhecemos, a transformarmos as estruturas das nossas vidas, e a encerrar ciclos, fases, e as nossas vidas passadas.

Por isso é natural que as circunstâncias nos oprimam, confrontem, e espremam: para não podermos fazer de conta (a arte de Neptuno inferior) que não temos tarefas existenciais inescapáveis pela frente (e por trás, se não nos abrirmos humilde e responsavelmente a elas).

Muito tem que ver com resgatar-nos do nosso próprio passado,

tanto quanto comprometermo-nos com o que poderá vir a ser o nosso próprio futuro.

E isto é verdade individual e colectivamente.

Temos todos de assumir algo de essencial perante nós próprios, os outros, e a Vida.

Temos de nos comprometer com um futuro que não conhecemos e que está em aberto, sendo que uma coisa é certa: não vai acontecer sem a nossa participação, responsabilidade, acção, escolha, e exercício.

Alguns, enquanto o Titanic afunda, ainda acham que se mudarem a disposição das cadeiras no salão de baile se safam: mas estão em negação e cagados de medo de enfrentar a realidade. O Titanic está a afundar.

Que grande oportunidade de se armar em armador (grego?),

e criar uma nova realidade navegacional, para o futuro, com uma embarcação mais bem equipada e preparada, comandada e orientada pelas estrelas, polares, de modo a maximizar as possibilidades e oportunidades de levar a própria carga a bons portos e por mares nunca dantes navegados.

Que carga?, ora!

: Essa.

A do teu Coração. A do teu Dom. A que estiveste a descobrir, a destapar, a ensaiar, a ser obrigad@ a des_cobrir, através das experiências todas da tua vida antiga até hoje. Antiga, sim: a que tem estado a desfazer-se. A que foi a tua vida anterior nesta encarnação.

A que vieste burilar e transformar em ouro (amor-consciência) através da alquimia do ‘sofrimento’, do encontro com os teus dragões, do reconhecimento da princesa, e do herói, que vivem dentro de ti.

É uma Jornada do Herói, e deverias ter um entendimento arquetípico e mítico da (tua) Vida.

Senão, não vai fazer sentido; e vais dar por ti a lutar e a sofrer e a resistir e a mudar as cadeiras no salão de baile, porque queres voltar a dançar onde uma vez foste feliz (ou pelo menos dançaste: mas isso, Amore, já dançou),

em vez de assumires o Compromisso com o teu futuro com Coragem, Autenticidade, Verdade, e se possível Alegria: todas as prendas que te são oferecidas pela tua ligação à Alma;

Essa é a ligação principal, prioritária – e é essencialmente ‘daí’ que nos chega Tudo:

não é empurrando esfaqueando puxando forçando resistindo julgando repelindo manipulando as formas, os objectos, as personagens, os reflexos e as sombras no ecrã que se muda o filme:

é mudando o próprio filme que se muda o que é projectado no ecrã.

Se queres (e queres, porque tens mesmo de o fazer) mudar a tua vida e viver finalmente o teu destino – que é simultaneamente o teu auge, a tua maturidade e o início do teu ‘declínio’

(o que vem a seguir à maturidade é a morte, por isso é que ninguém quer crescer e deixar de ser Peter Pan e Puella)

então tens de crescer.

Tens de amadurecer.

Tens de selecionar os pesos necessários, adequados, à tua próxima realidade navegacional.

Os pesos certos são a condição da maturidade, e dão sentido à Vida (sempre, mas particularmente nestes Tempos):

Tens de te comprometer.

A fazer o teu melhor, tanto quanto vês, reconhecendo que há tanto que não vês: que o que define o Inconsciente é o facto de ser… inconsciente.

E tens de te calar.

E tens de te ouvir.

Porque se não o fizeres,

Não vais perceber, nem aceitar, nem sequer ter espaço para considerar de que maneira podes estar simplesmente em tilt e em curto circuito,

a tentar ser ‘feliz’ de uma maneira impossível, insistindo no passado,

Porque talvez não seja possível coçar uma comichão muito antiga no presente

(que é o que fazem os neuróticos)

– ou talvez seja:

É essa a responsabilidade de cada Um pela sua própria vida nestes tempos.

… Reconhece a comichão antiga:

E trata de assumir a responsabilidade de a coçar, construindo uma nova estrutura de vida já liberta dos fantasmas do passado,

Porque comichão que não passa,

ou é karma não redimido,

ou dharma ainda não assumido.

E este é o momento de assumir

pesos, responsabilidades, mas acima de tudo,

a decisão de ser armador – que por muito grego que se veja,

decide dedicar todos os seus esforços a projectar a sua navegação do futuro,

fechando um velho passado recolhendo dele toda a aprendizagem e experiência (o Saturno sabe muito porque é velho)

em vez de andar na dança das cadeiras;

e pegar em todo esse capital para começar de novo.

Sendo que,

nem isto é começar

nem propriamente nada de novo.

Já o sabes e sentes há muito.

Tens é resistido à evidência, porque é da natureza humana resistir

ao seu próprio crescimento.

Então por amor a Ti,

pára de resistir e colabora mais com o inevitável,

é (para) o teu Bem.

E cresce,

e aparece

enquanto o sonho e a fantasia acerca do Titanic

se afunda,

e desaparece *

NOTA:

esta crónica, não publicada, foi escrita há exactamente um ano, em Novembro de 2019, para ser publicada pela SaberViver.pt, online – o que nunca chegou a acontecer.

Mas serve de introdução ao webinar de amanhã, dia 1 de Dezembro, sobre a Astrologia de Dezembro de 2020 – e de termo de comparação, diagnóstico, e ponto de partida relativamente às grandes tarefas existenciais, colectivas e individuais, que temos tido pela frente e a que responder ao longo deste ano que agora se aproxima do final, e ao qual procuraremos dar (mais entendimento).

Todos os interessados podem e devem inscrever-se para este webinar em: https://zoom.us/webinar/register/7316067236003/WN_gEW8eJsiRxysmxz8NO9bMQ 

Este Webinar é GRATUITO PARA PATREONS de nível Café da Manhã, Visionário do Espaço e Gigante de Boa-Vontade (http://www.patreon.com/unomichaels) MAS DEVEM FAZER INSCRIÇÃO NO FORMULÁRIO E AVISAR QUE SE INSCREVERAM

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