Dia da descida, dias de Ascensão – ou então, não

Hoje é o dia em que os visionários descem da montanha, depois de 4 dias de jejum de água e comida, apoiados unicamente pela sua própria capacidade de Fé e Entrega, pelo mundo espiritual, e pelo acampamento cá em baixo.

Ali, debaixo do toldo verde, a cozinha comunitária fervilha de actividade. Preparamos soro, fruta, refeições, e boas vindas ao corajosos buscadores que fizeram mais esta Entrega.

Pessoalmente, este ano estive na cozinha comunitária como voluntário – todos somos voluntários nesta encarnação, mesmo que assim não o vivamos -,

e além de ter podido honrar por mais esta via um Saturno e uma Roda da Fortuna na Casa 11, em Caranguejo

(e todos os meus ambos Planetas em Aquário),

e de ter apoiado, como pude, soube, e creio que devia, 3 visionários lá em cima (mais cento e cinquenta a comerem e a beberem cá em baixo),

tive a oportunidade dourada de observar,

e que é para mim o dom mais importante de qualquer experiência:

Observar. Observar-me.

E lidar com os meus próprios impedimentos, padrões de reacção, e artroses – tudo o que me impede de aceitar graciosamente a Vida, tal como se apresenta, momento a momento, com tolerância, aceitação, Compaixão, e imperturbabilidade.

Esse é o Trabalho que escolhi fazer com esta encarnação;

o resto,

são variedades.

E observei muitas coisas, graças a Deus:

observei todas as graças de Deus que fui capaz.

Uma das mais importantes e valiosas, gratas e gratificantes foi a capacidade de sacrifício, dádiva e Entrega de alguns dos seres humanos aqui presentes, ou quase:

Mães, voluntários, guardiões do Fogo Sagrado, lavadores de tachos, apoios de visionários, enfim, os gigantes de boa vontade.

Outra foi um estudo sobre o egoísmo humano, o auto-centramento, e a falta de consciência Grupal:

O que me ajudou a um diagnóstico, enviesado naturalmente, e a um vislumbre – míope, é natural – sobre o quanto Plutão tem a trabalhar connosco durante a sua passagem por Aquário, Signo da Individualização e da Consciência de Grupo, e das Relações Humanas Correctas.

A diferença, por exemplo, numa amostra de centena e meia de pessoas, dos números dos que exigem sobremesa e os que se oferecem para ajudar os que trabalham para si voluntariamente, é abismal.

A diferença – em número – dos que querem mais comida no prato e os que perguntam se há suficiente para todos

é abismal.

A diferença – em número – dos que pensam que estão num caminho espiritual mas deixam pegadas pesadas, egoístas, densas e viscosas é abismal.

A diferença entre os que têm maus momentos e aproveitam para, mais tarde ou mais cedo, se superarem a si próprios nas suas tendências e reacções instintivas até um lugar de auto-observação e responsabilização pela própria experiência,

e os que nunca chegam a fazer nada senão queixar-se, acusar, julgar e rejeitar as próprias experiências

é abismal.

A diferença entre os que transportam sorrisos que ampliam e iluminam os outros, e os que transportam bocas famintas e insaciáveis

é abismal.

E poderia continuar, se não fosse mais importante deixar-me de mastubações pessoais e mentais e ir ajudar, neste momento preciso em que nos preparamos para ir buscar, receber, aplaudir e acolher os visionários

Mas

Foi extraordinária mais esta experiência, que amanhã – ou mais logo – não há-de ter sido muito mais do que mais uma onda que passou,

Só mais uma onda que passou

E que foi aproveitada

– ou não –

Afinal,

A Vida é breve,

A Arte é longa,

A oportunidade é passageira,

e o julgamento difícil

(e quantas vezes, inútil e ingrato).

De modo que,

Fico-me por esta breve nota do quanto Plutão tem para destruir

do nosso egoísmo, cegueira, auto-centramento, imaturidade, prisão a dramas emocionais pessoais e histrionismo

– afinal, de onde está, Plutão faz oposição e quadraturas Leão, a Touro, e a Escorpião (nas suas versões e níveis de consciência rasteirinhos)

e ainda agora é o primeiro vislumbre.

Depois haveria que generalizar, a partir desta pequena amostra de gente supostamente num caminho “espiritual” para percebermos o quanto temos, colectivamente, por Caminhar

e Amar

Todos, Todos.

Pois se Aqui é assim,

Imagine-se ‘ali’,

Ali, debaixo do toldo verde, tudo fervilha de Amor Actividade e Cuidado:

É ali que quero estar,

E para lá que vou, como tu e ele e ela e eles,

a Caminho 🔥