dinâmicas a atender

Com a chegada de Vénus a Caranguejo,

há 3 signos que o reflectirão mais pessoal e directamente nas suas vidas:

Touro, Balança, e Peixes.

São os signos do seu domicílio (regência) e exaltação.

De tal maneira que eu olharia para as Casas Astrológicas que “abrem” com Touro, Balança e Peixes no meu Mapa de Nascimento

(ou as casas solares, que consistem em contar até cada um desses signos a partir do nosso signo Solar. Por exemplo, Balança é o oitavo signo a contar de Peixes; Touro é o décimo signo a contar de Leão, etc.)

e esperaria poder reconhecer aí suave mão de Vénus, harmonizando, pacificando, e trazendo doçura, pessoas, recursos, boa-vontade –

aí, e na Casa a que Caranguejo (onde Vénus ingressou) corresponde.

O que nos deixa com uma data de Casas a que prestar atenção.

Por exemplo, para Balança Vénus entra na sua Casa 10, o que é particularmente importante, porque a Casa 10 é visível e angular, e Vénus rege Balança (que é como quem diz, a sua “Casa 1”). A vida pública, social, profissão, vocação, e oportunidades  de se expor são tocadas pela acção de Vénus.

Para Touro, Vénus entra na 3 regendo a casa 1. Irmãos, oportunidades de comunicar e aprender, honrar a dimensão estética e pacificadora no pensamento e na comunicação, visitar uma galeria de arte, escrever um texto, aprender sobre o amor.

Para Carneiro, Vénus entra na 4 (regendo a 2 de Touro e a 7 de Balança). Dar as boas-vindas a um maior senso de harmonia e beleza, embelezar o sítio onde se vive, convidar pessoas a “entrarem” um pouco mais na nossa intimidade. Esperas um amigo e tens de arrumar a casa? Poderia ser outra expressão, superficial mas rigorosa, deste tipo de trânsito. Retirar um novo tesouro de um almoço de família, nem que seja, apreciar estes laços enquanto os temos.

MAS

também temos de compreender que, ao transitar num signo, qualquer Planeta (Vénus, neste caso) faz aspectos a outros planetas (nos céus, e nos nossos Mapas de Nascimento). Como não há maneira de saber que aspectos faz, a partir de Caranguejo, Vénus aos nossos mapas de nascimento, ficamos pelos aspectos que faz nos céus,

e o mais importante deles é um quincôncio (ou inconjunção) a Plutão, sugerindo que há dimensões ocultas, menos evidentes, complexas ou carregadas emocional e psiquicamente, associadas com os “acontecimentos” de superfície.

O almoço de família, por exemplo, pode trazer o confronto com temas desconfortáveis; o convidado que trazemos para casa pode trazer problemas, o convite que recebemos para expôr pode estar inquinado por motivações ocultas ou não assumidas.

Donde,

nunca se consegue delinear um trânsito “no vazio”,

mas pode-se ter uma noção de tudo quanto há que levar em consideração

antes de nos pronunciarmos,

antes de interpretarmos,

antes de “prevermos”.

Mais vale reconhecer os campos arquetípicos que estão a ser activados e trabalhar conscientemente dentro deles, por exemplo:

Leão (o meu ascendente) tem a sua regente da 3 (Balança) e da 10 (Touro) a entrar na casa 12. São dimensões da vida que estão a dissolver-se, a serem confrontadas com aspectos inconscientes ou negados do próprio inconsciente, a encontrarem resquícios do passado

(na antecipação e preparação da próxima fase, quando Vénus ingressar em Leão e portanto na sua Casa 1).

De caminho, Vénus faz quincôncio a Plutão (que rege a Casa 4 de Leão, por ser Escorpião que é o quarto signo a contar de Leão).

Há dinâmicas antigas, familiares, inconscientes e emocionais (domésticas, no sentido em que vivem dentro de mim, e comigo, onde quer que eu viva ;-)) a emergir, a confrontarem ou a serem confrontadas pela Vida em movimento (planetas em Trânsito).

Velhas dores, feridas, memórias ou dimensões esquecidas de nós próprios – de Si mesmo – interpõem-se (ou surgem, emergem, revelam-se!), tendo algum tipo de influência ou impacto nos assuntos regidos pelas casas de Touro e Balança.

eu que tenho Ascendente em Leão, por exemplo,

hoje acordei a pensar e recordar muito vividamente a minha linhagem, a minha família biológica e de sangue, a recordar-me de mim próprio em criança, e a dar por mim a pensar no quanto sustentarei mais, ou de que forma, e durante quanto mais tempo, o que criei para mim profissionalmente (a dinâmica de dissolução da Casa 12, o fim de ciclo), 

no quanto gosto realmente é de escrever e estar sossegado em silêncio,

no prazer que tenho em estar longe do mundo e do seu burburinho que em tempos me despertou curiosidade e interesse, e hoje em dia nada acrescenta,

na importância de cuidar de mim e da minha filha, das minhas rosas, do meu jardim e da minha Jasmim,

na importância de dedicar longas horas de solitude e silêncio à reflexão, à contemplação e à escrita,

e – porque tenho um Saturno forte – 

como é que vou fazer para fazer isso acontecer, cada vez mais, pelo menos enquanto for esse o meu sentir, 

acompanhando a dança que se move permanentemente dentro de nós, dentro de mim.

Mas isto, claro, refere-se APENAS a UM planeta em trânsito, quando há 10, ou 11, ou 12,

isto refere-se APENAS à referência do meu Ascendente, porque para o Sol, para a Lua, para Mercúrio, vénus, Marte, e todos os outros – cada um está no seu próprio baile, na sua própria dança, reagindo e descobrindo-se em tantas outras dimensões e níveis,

e nada disto esgota nada, nem resulta necessariamente em coisa nenhuma, definida, e concreta.

Mas é oferecido aqui em exemplo de tudo aquilo a que deveríamos, a cada instante, atender:

Reconheço – e já aprendi a aceitar, por experiência de vida -, que geralmente as pessoas querem saber o quê, e o que fazer;

e eu não creio que haja nada para saber – há tudo em que pensar, ponderar, reflectir, sentir, contemplar dentro de nós.

A Vida é uma Dança permanente, constante, e o único que não muda é o centro imutável

da Presença,

da auto-observação,

da auto-recordação

da equidistância relativa a todos os impulsos e processos que continua e permanentemente dançam dentro de nós,

enquantos os anotamos, os observamos, os reconhecemos,

sem nos entregarmos a coisa nenhuma a não ser

à nossa própria Presença

de Espírito

a Testemunha Iluminada de nós próprios, pelo menos,

enquanto pudermos, e soubermos,

andar por Aqui.

Por aí, por ali,…

“Enquanto não souberes onde a tua Alma se esconde (e tudo o que nela se esconde, acrescento eu) nunca a Vida, para ti, será Real”.

E o que será Real a não ser o estatuto de realidade que cada Um dá

às suas próprias alucinações…?

Hum?! *