nem de propósito, e a propósito do que não é de propósito

Sabes perfeitamente

que é impossível magoar um adulto pela primeira vez.

Quero dizer,

todos trazemos feridas memórias e mágoas (padrões, sombras e traumas) que transportamos inconscientemente por onde quer que andemos, e passemos, e à medida que andamos, a vida – a acontecer, impessoalmente como só ela – nos vai carregando onde nos dói (claro!), fazendo-nos saltar, doer, indignar, sobressaltar, indignar, acusar, gemer, e julgar. Saltar e fechar, contrair e gritar, protestar, reclamar, exigir, arrepiar caminho, e depois

(tipicamente depois de arranjarmos mais um bode respiratório)

chocar novamente com outra merda qualquer.

E repetir o ciclo.

É inevitável.

Como uma grande aldeia de parolos magoados, cegos como toupeiras e com a inteligência emocional de um lemingue, pejados de feridas de que não tratam, a colidir contra as coisas – e depois se ressentem muito quando batem com as feridas não tratadas nas paredes e nos tijolos de cimento – símbolos, aqui, das realidades que não se mudam. Pelo menos, não por decreto, não por wishfull thinking, e muito menos para nossa conveniência.

E os lemingues continuam, como toupeiras, às voltas sobre si próprios e à volta da aldeia. Criando o seu próprio inferno, mas encontrando conforto e alívio (really?!) nos bodes respiratórios.

Como diz a outra, “discute com a realidade: bem-vind@ ao Inferno!

Mas o que nós acusamos a Vida e os outros quando batemos com as nossas feridas não tratadas na “realidade”, composta na realidade de tantas outras feridas, e de tantos outros não tratados, exactamente como nós próprios.

O que nós sofremos, precisamente por não olharmos para as raízes do nosso próprio sofrimento, sendo recordados dele apenas quando a Vida no-lo espelha através das circunstâncias em que tropeçamos e nos fazem doer.

De modes que,

é sempre um bom exercício olhar para dentro, em vez de continuar no transe e a entregar às circunstâncias exteriores e aos espelhos o poder sobre a nossa própria experiência de vida. Esse é meio caminho andado para nos tornarmos vítimas, em vez de co-criadores, da nossa própria realidade.

E há momentos em que esse tipo de exercício é mais profícuo: é quando se alinha com as energias do momento.

Como agora.

Então, com a Lua recém-entrada em Caranguejo e Mercúrio em Balança (e os Nódulos activados, com e por Plutão – que grande portal!), proponho-te um exercício simples que te há-de ajudar tremendamente no sofrimento destes dias:

qual é a tua memória mais antiga de injustiça? Qual é a injustiça mais antiga de que te lembras? Para onde és levado quando te peço que elenques a injustiça mais antiga de que te recordas?

Depois disso, recorda também

que estás a reviver os mesmos sentimentos, com outros personagens e por outras circunstâncias.

Não sejas como os lemingues.

Nem como as toupeiras.

Recorda a ti próprio – agora mesmo – que é impossível magoar um adulto pela primeira vez, 

e que agora – repete para ti própri@ – 

és um adulto

a ter os botões premidos pelas circunstâncias, a ver se estás acordado ou a dormir,

a reagir ou a escolher e observar;

depois respira fundo:

quem domina a respiração, e a si próprio, tem mais poder do que qualquer césarzito ou imperador da ilusão tridimensional, e o próprio nome diz tudo:

impera_dor *

Sê o teu próprio Cura_Dor, pah!, que foi para isso que nasceste, 

e da próxima vez que deres por ti com os botões a serem premidos, agradece

a oportunidade de respirar, recordar, e Curar.

Assim, a pouco e pouco, vais percebendo como jogar o jogo

sem te perderes na ilusão do certo e errado, ganhar ou vencer *

Sem te esqueceres do que é real, e a experiência não é:

apenas o Ser.