o que acontece

Quando ficamos tranquilamente em solitude e contemplação,

em silêncio e sossego?

… Pergunta o símbolo sabeu que o Sol ocupa e ilumina nesta Lua Cheia,

a quem tenha o tempo, o vagar, o silêncio e a atitude necessárias

a poder ouvi-lo *

… e a Lua?,

bem a Lua primeiro contempla o mar agitado desde uma distância saudável e segura, como um capitão da marinha reformado, depois de ter andado nas ondulações próprias do mar revolto,

e depois pede-nos que recordemos

que somos todos vítimas das consequências das nossas acções, e portanto,

vítimas nenhumas:

criadores, impessoais, dos nossos próprios destinos

num reconhecimento que só se consegue

quando ganhamos alguma distância do frenesim de andar mergulhados

nas correntes instintivas, irreflectidas, e sobre-estimulantes

da vida

não ponderada *

Afinal têm algo em comum, este Sol e esta Lua:

nem poderia haver polaridades a dançar, diametralmente opostas uma à outra,

se não houvesse algo que as ligasse –

afinal,

Tudo é Relação

e é dessa compreensão

que nasce o Amor:

oooo lah lah,

l’Amour 😉 😀 

apesar do que fizeram dele,

l’amour existe mesmo

subsistindo nos espaços vazios, invisíveis, esquecidos e afogados

pelos nossos entusiasmos pueris

e as nossas miopias aquáticas.

Fumará cachimbo, o capitão da marinha aposentado?,

ou óculos?

pergunta-se a mente demente, que gosta muito de se perder

em detalhes insignificantes –

– sem deixar de ter razão em reconhecer que todos temos as nossas representações

daquilo com que se parece

uma autoridade

reformada *

O tempo,

o vento,

e a barcaça;

o velho lobo do mar,

o marinheiro inexperiente,

e a fumaça *