Este é o dia do ano
geralmente
em que o Sol ‘sai’ da minha Casa 12
e recomeça o seu trânsito ilusório e aparente pelas 12 Casas do meu Mapa, a contar do grau/signo/ponto que assinala o início desse ciclo: o que conhecemos como Ascendente. De tal sorte, que todos os anos, quando o Sol atinge o grau 28º/29º de Leão há um reset, um reinício, um renascimento:
coincide todos os anos, para mim e para toda a gente, com o dia/grau/posição do Sol a cruzar o Ascendente, e a essa efeméride pessoal podemos chamar de “aniversário mundano”: porque é o Sol a regressar ao ponto do Mapa que mais especificamente representa o nascimento para a matéria, para a Encarnação, para a assumpção de um corpo físico, para um novo ciclo de manifestação, para uma nova “vida” na Terra.
Que é como quem diz, mais uma En-carne-ação.
Vida no bife!
Então todos os anos, mais ou menos neste dia em que o Sol atinge, regular e previsivelmente o grau 28º/29º de Leão, e cruza o meu Ascendente, – eu renasço. Recomeço. E recomeço, gradual e inevitavelmente, a sair do “casulo” representado pela Casa 12: a Casa da Gestação pré-natal. Pré-nascimento.
Antes dessa, na 11, o Sol iluminou dinâmicas sociais. Antes disso, na 10, dinâmicas profissionais. Antes disso, na 9, dinâmicas ideológicas e filosofia/religião pessoais. Antes disso, as dinâmicas relacionais nas suas dimensões psíquicas, inconscientes, emocionais profundas. Antes disso, as dinâmicas de parceria/contacto e associação. Antes disso, na 6, eficiência trabalho e saúde. Antes disso, na 5, filhos, criatividade, estilo pessoal. Antes disso, na 4, dinâmicas familiares e emocionais pessoais, ligadas com a casa/lar/lugar onde se vive: dentro de Si, antes de mais, e como isso se reflecte no habitat, no ambiente, e naqueles com quem nos permitimos partilhar a nossa “intimidade” no nosso templo pessoal.
Antes disso, o Sol iluminou dinâmicas intelectuais/mentais durante o seu trânsito pela Casa 3. Antes disso, transitou pela área de vida relacionada com auto-suficiência, produtividade pessoal, e capacidade de gerar valor. E antes disso, transitou pela Casa 1 da Identidade Pessoal, imagem, e existência separada, independente, pronta para se descobrir e cumprir através dos testes existenciais sequenciais que se iniciam na Casa da partida, quero dizer, na Casa da chegada, quero dizer, na Casa 1.
E o novo ciclo anual (re)começa hoje, no meu aniversário “mundano” – o Ascendente fala da crucificação do Espírito à Matéria: daí o seu termo “mundano”.
* * * * *
Quando estamos demasiado identificados com a ilusão exterior, colectiva e consensual da vida comum, com as circunstâncias as políticas as correntes a imagem a ilusão da manifestação e o transe, é normal estarmos identificados com o “karma impessoal” e tendemos a viver de fora para dentro,
assim Caranguejo quer pertencer, Leão quer brilhar, Capricórnio quer ser responsável, Aquário livre e diferente, Sagitário sabichão, Escorpião espião, Balança diplomata; enfim, cada um quer cumprir-se o melhor possível enquanto objecto na grande montra social das relações, das preferências, dos gostos, das culturas e das mentalidades sócio-temporais-culturais de cada tempo histórico (e da família, e dos pares, e das autoridades transitórias, etc.)
Mas também podemos viver o Ascendente “de dentro para fora”: e nesse caso Caranguejo seria inteligência emocional, Leão autenticidade, Escorpião regeneração, Sagitário busca de sabedoria, Capricórnio sucesso nos seus próprios termos, etc.
De modo que sempre que o “relógio” assinala um recomeço, é altura de recomeçar a aprender, pela primeira vez depois de todas as anteriores, como quem se alça a percorrer mais uma voltinha na espiral da consciência, da experiência, e a partir de todos os ciclos anteriores, mais ou menos conscientemente vividos.
E de tal sorte, que podemos usar o Mapa de nascimento como uma espécie de “relógio cósmico” perpétuo, e se transformarmos os graus mais relevantes do nosso Mapa de Nascimento em datas do calendário civil, saberemos mais ou menos, dia a dia e previsivelmente todos os anos ao redor da mesma data, o que é que está a ser “iluminado” pelo trânsito aparente do Sol ao redor da nossa mandala de Vida:
por exemplo, a 21 de Agosto o Sol cruza o meu Ascendente. Ao redor de 15 de Novembro, cruza o FC. Ao redor de 15 de Fevereiro, cruza o DSC. Ao redor do 13 de Maio, cruza o MC.
De caminho, faz conjunções, sextis, quadraturas, trígonos, oposições, quincôncios, semi-sextis, septis, novis, sesquiquadraturas, etc. com todos e cada um dos planetas/pontos e ângulos do Mapa, de tal maneira
que praticamente não há dia em que Sol não ilumine de maneira muito particular uma dinâmica específica da minha vida,
e quando essas dinâmicas são animadas, e se me apresentam, eu chamo-lhes “experiências”: ou fado, ou karma, ou destino, quero dizer: eu a ter a experiência de mim próprio através dos meus próprios filtros,
para que me conheça: e na medida em que tenha objectividade com relação a isso,
vá descobrindo Vida além do meu próprio umbigo, especificidade, subjectividade, e realidade energética pessoal:
é por isso que o optimista vê o copo meio cheio e o pessimista meio vazio, e é o mesmo copo
– a Vida é a maior prancha de Rorschach que existe! –
e hoje, com o Sol a cruzar o Ascendente,
recomeço a pintar a minha
depois de 30 dias de Sol na Casa 12
com as tintas todas a borrarem e os desenhos a diluírem, e os velhos tons a desmancharem:
a Casa 12 é a da diluição das tintas,
e a Casa 1 a de uma nova paleta.
Descobre lá tu quando é o teu aniversário mundano (é a data em que o Sol atinge, no seu percurso anual relativamente previsível o grau do teu Ascendente natal). Depois descobre as datas correspondendentes aos 4 ângulos da Cruz da tua Encarnação.
Depois – isto é só para começar – descobre as datas em que o Sol, previsivelmente, “toca” cada um dos planetas do teu Mapa: mas apenas por conjunção. E depois por oposição. E depois por quadratura. E depois por trígono. E depois por sextil.
E tens um bom ponto de partida.
E recorda que isto é especialmente verdade caso sejas regido pelo Sol, i.e., se o teu Ascendente for Leão, isto será ainda mais válido, ainda mais essencial, e ainda mais
like clockwork.
porque isto é tudo um gigantesco relógio, e nós os ponteiros,
com a mania que podemos apontar para onde quisermos, quando quisermos:
é o início e a condição da nossa miséria, do nosso sofrimento, e portanto,
o primeiro sinal da nossa ignorância,
a desconexão.
Será por isso que os brasileiros têm a expressão “se liga, vai“?!
Liga-te. Religa-te. É isso que significa Yoga, Religião, e porque não chamar o boi pelo nome,
Amor?



