Só sou eu que acho fantástico
– não que o senhor tenha morrido, mas que –
no dia exacto da conjunção Sol/Neptuno em Peixes – ontem – tenha “desaparecido” (Peixes) um poeta (Sol/Neptuno) português (Peixes)?
Falo do Nuno Miguel Júdice, que deixou na sua biografia poética títulos como “A noção de poema”, “A partilha dos mitos”, “Enumeração de sombras”, “As inumeráveis águas”, “O mecanismo romântico da fragmentação”, “Meditação sobre ruínas”, “A fonte da Vida”, “Teoria geral do sentimento”, “O breve sentimento do eterno”, “Navegação de acaso”, “A pura inscrição do Amor”, “O coro da desordem” ou “Uma colheita de silêncios”…
Vês Neptuno, nestes títulos, all over?
Não páro de me comover, e surpreender, com o quão literais são, por vezes – tantas vezes – as manifestações dos Arquétipos…
E no dia exacto do Sol (um luminar) conjunto a Neptuno (o desaparecimento, a ausência, o invisível, o Grande Mistério) em Peixes,
mais uma poética gota da Luz ter regressou ao Oceano da existência, depois de ter – como todos nós – visitado, por breves instantes, este plano
e deixado, para benefício dos outros, um rasto de sensibilidade à sua passagem *
In Memoriam, e de regresso ao (e)Terno,
enquanto a nós, fica e cabe a possibilidade de te reavivar, lendo-te,
pois é o rasto que deixamos atrás de nós, após a nossa breve passagem, a prova
da nossa Eternidade *



