Escrevo isto hoje, que tive tempo, e vagar. Poderia escrever sobre isto todos os dias. Deixo aqui à consideração. Se gostares do exercício avisa, que eu – se, e quando, me apetecer – faço mais.
Hoje o Sol ocupa o grau de Escorpião que tem como símbolo o homem (nalgumas versões, a mulher) retirada da água, salvo do afogamento, e do encontro de olhares que se lhe segue.
Algumas das múltiplas leituras possíveis do simbolismo deste grau têm que ver com o abandono a impulsos emocionais e sexuais (as “águas”),
a traição a compromissos anteriores através de envolvimento em situações “lodosas”,
a necessidade/o impulso/o desejo de mergulhar em águas (emoções) mais vitais em vez de ficar na margem a sentirmo-nos cada vez mais “secos”, e áridos,
o andar a errar pela vida à espera de sermos “salvos”,
a oferta – ou a procura – de ajuda,
o encontro de um parceiro que valha a pena (em vez da atracção pelos necessitados, dependentes, e sofredores),
o heroísmo e paixão com que se vive, e se estende a mão a quem precisa,
a integração corpo-mente-espírito, ou a obsessão com a dimensão física/aparência.
Há outras,
por exemplo,
imaginares que és tu a salvar das águas alguma “parte” de ti,
a resgatares-te do teus próprios lodos ou escombros, do passado, da memória, ou do trauma.
O erotismo inicial (e as dinâmicas sombrias) da relação salvador/vítima,
etc.
Há tantas possibilidades que se me ponho a escrever sobre isso tudo agora afinal fico sem tempo, nem salvo, perdão, nem faço a consulta das 2pm 😉
Mas já dá para teres uma ideia, um ponto de partida.
O que é que este símbolo te sugere a ti?
Por curiosidade,
o Marvin Gaye, que canta o “Sexual Healing”, tinha o Nódulo Norte neste grau.
O Bertolucci, que realizou “O Último Tango em Paris”, tinha a Lua neste grau.
O Schubert, que era sifilítico, tinha o Neptuno neste grau.
You get the feeling of it 😉
Pensando em ti e na tua vida, assumindo que não tens Planetas neste grau,
o que é que este símbolo te transmite quando pensas nisso hoje?
Se tens Planetas neste grau, nem pergunto. Falas com o teu psiquiatra ou padre confessor (não sei se o teu anjo da guarda tem paciência ou interesse nessas histórias 😉 e estamos conversados. Eu não conto, se tu não contares.
Estou a brincar.
e não estou.
Curioso, especialmente curioso, é o Sol ocupar exactamente este grau no dia em que Vénus faz oposição a Neptuno – uma assinatura clássica de nos “perdermos”, de nos querermos salvar – e aos outros -, e das decepções, enganos, e big mistakes que às vezes cometemos com isso.
… é a história do náufrago encantador que salvamos para a nossa ilha, e que depois de lhe darmos de comer, nos mata e nos rouba tudo e nem agradece (se ao menos agradecesse, sim…? ;-))
Com Vénus/Neptuno existe uma certa tendência a confundir um carro que é um chasso com um Ferrari, a meio da fome, do desespero, da desorientação, do desejo, ou dos copos.
Com o Sol no grau do salvamento, oposto a Júpiter (que optimiza, exagera, distorce e vê sempre com bons olhos – e sempre arranja justificações para – o que faz sem bom-senso), e Vénus oposta a Neptuno, achei oportuno
(na verdade tive tempo para partilhar mais este dos meus pensamentos, tenho tantos destes por minuto – o que vale é que nem sempre me sento para os escrever e muito menos partilhar, senão, seria um inferno. Um bom inferno, mas sempre um inferno ;-))
perguntar-te:
Que sentido é que este grau/símbolo, HOJE, faz para Ti?
Lembra-te alguém, alguma coisa, alguma história, algum padrão, algo…?
Não precisas responder. Eu é que quis perguntar.
Tu não és refém do que eu faço.
Além disso, hoje o Mercúrio prepara uma oposição a Urano,
e cada um é livre de pensar *


