Uma das maneiras que eu utilizaria para traduzir, sintetizar, e baptizar esta retrogradação de Vénus por Leão seria “cada um a tropeçar em si próprio”. Mas traduzir é trair, e tudo o que possa sobre o Tao ser dito: não é o Tao.
Sâo aproximações; são ângulos. Dimensões. São definições: e definir é definhar.
No entanto, não deixa de ter a sua validade, quando considerado sob um certo ângulo – de resto, não é isso que no-lo ensina a física quântica: que num universo feito de múltiplas possibilidades em potenciais à espera de serem actualizadas pelo observador, encontramos sempre o que procuramos, quanto mais não seja: porque o que encontramos é o que procuramos, e o que procuramos – é o que encontramos.
De modo que quando há uma retrogradação de Vénus por Leão tende a haver manifestações daquilo que uma retrogradação de Vénus por Leão tende a significar:
arrefecimento dos ânimos,
uma aumentada e amplificada auto-consciência,
uma mais aturada atenção àquilo que nos alimenta, frustra, preenche, expande, abre, contrai, fecha o Coração, o timo – e se formos por aí abaixo, o ego;
uma reavaliação dos nossos relacionamentos, acordos, e afectos, gostos, prazeres, e níveis de satisfação, de forma geral, com a nossa própria vida:
a chatice é que geralmente colocamos nos outros e na Vida o ónus de nos preencher e satisfazer,
e uma retrogradação de Vénus por Leão pode bem ser a oportunidade de aprendermos que, como, e por que não pode – pelo menos, nem sempre – ser assim.
De modo que é bem uma época de uma certa frustração, desencantamento, desilusão, reavaliação (geralmente, negativa e por baixo), mudança de planos, prioridades, ou valores, enfim – de ideias acerca do valor que as coisas (as relações, as pessoas, as ideias) têm para nós.
E ainda a procissão vai no adro.
Por outro lado,
é uma altura de aprofundamento: quando as coisas (as relações, as pessoas, as ideias) têm valor real e significativo para nós, para cada Um de nós, e isso é altamente particular, subjectivo, pessoal – Vénus é um planeta de “gostos” pessoais, e como disse uma vez um sábio:
gostos não se discutem.
Cada Um há-de saber o que para si serve, funciona, chega, qualifica:
não é isso que significa “qualificar”?
Atribuir qualidade é atribuir valor.
E atribuir valor é introduzir o elemento de escolha, de preferência, de desejo, de vontade, de disponibilidade e motivação para escolher, para querer, para estar, para dar, para investir:
eu invisto naquilo que para mim tem valor. E se eu quiser perceber o que é que para mim tem valor, basta observar (mesmo que não tenha disso consciência habitual, corrente, presente – consciente) onde é que gasto, dispendo, ou invisto os meus recursos, a começar pelos mais valiosos:
a minha energia e o meu tempo,
e depois, por aí abaixo, todos os outros, até chegar ao “no que é que gasto dinheiro”, que é uma das expressões mais comuns, e rasteirinhas, do que Vénus significa na Vida:
Amor e Dinheiro.
Na sua regência por Balança, Vénus significa Amor. E na sua regência de Touro, Vénus significa DInheiro. E na sua exaltação em Peixes, há-de significar alguma forma superior, transcendente e sintética de ambos, quem sabe: Compaixão e Generosidade.
Mas isso,…
De modo que esta época de Vénus retrógrada no signo do Coração é uma época extraordinária para estarmos atentos a todas estas dinâmicas de valorização, apreciação, e auto-conhecimento.
É uma época de descoberta.
Além de tantas outras que não me cabem nem soam aqui, hoje descobri duas (mais duas) coisas interessantes. Uma, ao conversar com um tipo que estava a tratar das plantas, é que uma mistura de água, sabão e vinagre é boa para matar o piolho.
A outra foi a diversidade de reacções que houve aqui no Patreon às nuances dos pagamentos das mensalidades. Algumas pessoas ficaram preocupadas por terem sido cobradas já este mês, outras levaram a coisa na boa, na fé, e na confiança de que não sairão prejudicadas. O que, para mim, é um grande estudo sociológico e a prova de que, durante estes tempos, é mesmo cada Um a tropeçar em si próprio.
No espaço de poucos minutos, tive uma reclamação de alguém que paga cinco euros por mês a querer ter a certeza de que não é cobrada por um mês sem conteúdos novos, e ao mesmo tempo, uma mensagem de quem paga noventa e nove (mais iva) a dizer “o que eu recebo aqui vale muito mais do que isso”,
donde,
minudências à parte e gestão desta questão à parte (que não é o objecto deste meu texto, isso é uma clarificação técnica a decorrer e na certeza de que ninguém sairá prejudicado),
e grande prancha de Rorschach que é a Vida,
é um bom exemplo de como perante os desafios, os atrítos, os imprevistos, as nuances e os sobressaltos da Vida cada Um responde no que é:
e é ao observarmos a nossas reações à Vida que aprendemos, se não sobre ela, pelo menos sobre nós próprios.
Observo-me a observar como cada Um reage, onde cada Um põe a sua energia, no que cada Um passa o tempo a falar, nos fragmentos em que do Grande Universo cada Um põe a sua atenção, e compreendo a Vida que cada Um cria para si mesmo, as realidades que empodera e reifica, o eco que colhe da percepção e das escolhas que tem e faz:
Fiquei a perguntar-me se o medo, um dos principais cornichos do piolho humano, também se tratará com uma mistura de água, sabão, e vinagre:
ah!, se assim for, maravilhoso!
Ah, se assim fosse, com os recursos da Terra resolvermos os problemas do Espírito, não teríamos problemas na Vida, no Mundo e na sociedade:
Já que é uma sociedade tão perdida da Terra,
e com tantos problemas no Espírito *
Vou ver se descubro mais magias,
continuo a observar e a aprender,
e a desejar – do fundo do meu Coração –
que possamos todos, senão transcender, pelo menos observar o piolho na medida em que toma conta das nossas percepções, reacções, e automatismos:
E compreendo cada vez melhor as clássicas e fundamentais distinções entre preço e valor, entre medo e fé, entre matéria e Espírito,
e dou por mim, no meu próprio conjunto de crenças limitadoras, a acreditar que o Mundo seria um lugar muito mais interessante se fosse o Espírito a conduzir e a ampliar as possibilidades da Terra,
em vez da Terra a limitar, pelo medo, pela mesquinhez, pela dúvida, pela exigência, e pela cegueira da visão subtil
a imensa potencialidade do Espírito, que nos ama e respeita tanto que não nos pode devolver senão, e a cada Um de nós,
a Vida que corresponde à sua própria grandeza, largueza, ou estreiteza espiritual,
de Fé, de Amor, de Confiança, de Abertura, de Boa-Vontade,
enfim,
daquilo sine qua non
a Vida não tem sabor, porque uma Vida Humana tem de saber a Confiança, Fé, e Boa-Vontade
(e Amor, e Liberdade)
tal como o mar sabe a sal,
e ninguém tem como saber bem
quanto do sal destes mares
são lágrimas de Portugal *
… e sim, a quem tenha a gentileza de se manter firme e mantendo firmemente uma visão positiva da Vida, prometo
que terá, largamente, experiências positivas.
E a todos nós,
a confirmação de todas as razões para temermos
tudo aquilo de que já tínhamos medo
mesmo antes de termos arranjado as justificações para o sentir;
é só uma prancha de Rorschach, uma experiência gratuita,
e ninguém sairá prejudicado por se ter oferecido como voluntário ao laboratório da sua própria Consciência 😉

