um exercício de Marte em Gémeos

Gémeos

gosta de pensar e Marte,

gosta de fazer coisas.

Gémeos

fala de outras possibilidades, as alternativas, o outro lado, “os irmãos”, os outros eu do eu, a dualidade, os pares, os gémeos, os 1-em-2 e os 2-do-1

Marte

age decide corta separa

penetra adentra triunfa

cria separação, “secção”, sexo:

alfinete bisturi pénis falo charuto bisturi lancete cirurgião

bombeiro lutador pioneiro combatente herói agressor

mártir bombista devoto boxeador soldado que colhe – ou pisa – a flor

símbolo de fragilidade e inocência

a presa indefesa perante as presas do predador.

Destrutivo, construtivo; Marte em Gémeos é mais interessado, curioso, cabotino, ou dispersivo?

Depende do nativo. 

Em comum a toda a essência de Marte em Gémeos,

as dualidades: 

as alternativas não vividas, o caminho não percorrido, a escolha não feita, o que poderia ter sido, 

o que seria se…? em vez de,… [isto]

… [aquilo]?

Esta pode ser uma história particular, ou recorrente, na área de Vida que abre ou contém Gémeos no Mapa de cada Um, no mapa de cada Vida.

Então porque Gémeos gosta de pensar, e particularmente entre alternativas, e Marte de fazer coisas, uma das coisas que Marte dará por si naturalmente a fazer, enquanto andar a transitar por Gémeos até Março do ano que vem é a pensar como teria sido se tivesse sido diferente.

Isto não quer dizer que a vida pudesse ter sido diferente; apenas que é uma actividade natural para Marte – consciente ou inconscientemente.

Um dos medos de Marte em Gémeos é de ser injusto para uma das metades da laranja, ao escolher a outra, ou talvez – a parte que é perdida por não ser escolhida.

Cada escolha uma angústia; como dizer ‘não’ à alternativa para dizer ‘sim’ à possibilidade e à escolha?

Talvez alguns de nós, aqueles para quem seja mais natural pensar e pensar nestas coisas – aqueles de nós naturalmente mais “aéreos”, mentais, reflexivos, teóricos, ou pensadores – dêem por si a pensar,

deliberada ou inesperadamente

em várias das suas encruzilhadas passadas, bifurcações, escolhas, momentos críticos (“crisis” em grego significa separação, divisão) e revisitando algumas – ou muitas? – das suas escolhas passadas

– a imagem é a de um comboio aproximando-se a alta velocidade de uma bifurcação na linha, e o movimento de alavanca que decide ao último minuto o rumo que o comboio segue, deixando irreversivelmente para trás a outra linha férrea que conduzia em direcção diversa –

numa espécie de “o que poderia ter sido” se não tivesse sido “assim”, como “foi”:

como teria sido se tivesses recusado esse convite?,

como teria sido se tivesses seguido o outro curso?,

como teria sido se tivesses feito o aborto?,

como teria sido se tivesses dito a verdade naquele momento?,

como teria sido se tivesses aguentado mais um bocado?,

como teria sido se não tivesses feito,

como teria sido se tivesses dado,

como teria sido 

como teria sido

se tivesse sido diferente?

Claro que isto é meramente um exercício para honrar a energia de Marte em Gémeos; afinal, Marte rege a energia libidinal e Gémeos a palavra e o pensamento – 

há lá coisa mais erótica do que a inteligência, mas mais importante,

há lá coisa mais literal para Marte em Gémeos do que bater pun**tas mentais? 

Pensando, pensando,

cumbersando, cumbersando…

e como teria sido, se eu tivesse permanecido quieto

em vez de escrever estas 

palavras