Um exercício

Vamos dizer – imaginar – que Mercúrio está em Capricórnio com Sol e Marte,

Que a Lua está com Neptuno em Peixes

E Vénus em Sagitário.

Vamos dizer – imaginar –

Que Capricórnio é autoridade, rigidez e um saber de experiências feito,

Que Sagitário é altamente opinativo,

E que Peixes já viu tudo: está cansado, desencantado, e suspira por outra coisa.

Vamos dizer

– imaginar –

que além das mais funcionais,

há maneiras menos saudáveis de expressar estas energias:

neste caso,

como exigência e criticismo, desapontamento, cansaço, e opiniões fortes sobre ‘como as coisas deveriam ser’

(nada comuns, portanto!)

Vamos fazer

O exercício dos velhos dos Marretas, que estão de camarote

a falar mal de tudo.

Vamos dizer

que queremos opinar sobre a sociedade e o mundo actuais.

Podes ventilar, numa frase ou duas, algo que traduza esta parte de ti

(a parte “velho dos Marretas”)?

Eu começo:

O que deu cabo da sociedade foi o conforto, a preguiça, a estupidez, o egoísmo, e a infantilidade. As pessoas já não sabem o que é importante, optam pelas soluções imediatistas do conforto ilusório, não se interessam, e não se esforçam. Já não há Homens (Mulheres!) “como antigamente”. A palavra não vale nada. A ética não existe. Não há visão, nem do alto, nem de futuro. Nem perspectiva. Isto parece tudo um parque infantil com as crianças a digladiarem-se e espezinharem-se e a traírem-se para ficarem agarradas aos melhores brinquedos, a qualquer custo.

Se eu fosse o Noé, acendia um charuto e diria a deus com os olhos raiados de sangue: flood it again!

Se eu fosse o Buda, mantinha o sorriso imperceptível e inegociável quando chegasse o Dilúvio.

Se eu fosse a Noema, ia apanhar ameixas (que são boas para a prisão de ventre) e cagava nisto tudo.

E tu?

Queres aproveitar para ventilar o teu crítico mauzinho, e destilar algum veneno?

Aproveita!, faz de conta

Que os planetas estão onde estão hoje, e que este é um laboratório e uma experiência controlada em que pelo menos o fazes consciente e voluntariamente,

Aproveita.

Que dirias tu sobre o mundo actual, se estivesses mais interessado(a) em criticar o que existe

em vez de criar uma alternativa mais interessante?