Um momento (de loucura), três momentos (de lucidez – quiçá)

(isto já é de ontem, mas hoje: ainda está bom. E como o partilhei no Patreon, e no Facebook – com link para o Patreon, partilho-o aqui também. Aberto ao público, e dentro do público – a quem queira ler. Cada Um saberá de Si ;-))

 

Uma breve resenha para uma grande questão. É para isto que me dá quando me deito numa espreguiçadeira para apanhar Sol.

E apanho.

Na cabeça e muito provavelmente: na mente.

Activam-se-me circuitos próprios, ficam ainda mais activos – enquanto ao longe escuto vozes de pessoas a falar de bolas, do tempo, de comida, de coisas, objectos, e de pessoas. Nada que me interesse ou mobilize a atenção. É só ruído de fundo, como quem tem um rádio mal sintonizado a preencher o éter com os seus sons.

Costuma ser assim quando oiço a maior parte das pessoas a falar, assim, no dia a dia, a jogarem permanente e continuamente conversa fora. Não tem magnetismo, interesse, vibração. É só ruído lançado à atmosfera. Para mim, pelo menos, que tenho uma mente que funciona noutra frequência e provavelmente algum distúrbio não diagnosticado pela psiquiatria do mundo de baixo.

Penso em coisas estranhas, ou pelo menos diferentes das conversas que escuto, e piora quando apanho sol na cabeça.

É pensamento versus ruído, pelo menos para mim.

E dou por mim e estou tão longe daquilo tudo, a pensar em coisas tão diferentes. Pelo menos no que escuto, oiço, testemunho, e observo. Posso estar enganado, mas isso também não me interessa.

Atrai-me seguir os meandros dos meus próprios pensamentos, apesar e acima do ruído.

Convido-te à minha espécie própria de anormalidade.

Acompanha-me dois minutos.

Eu juro. É só uma breve resenha.

Foi nisto que dei por mim a pensar ainda agora:

 

Vamos situar-nos na história e relacionar três momentos históricos recentes – Woodstock, a revolução hippie, e os posicionamentos do Urano e Plutão nessa altura; mais tarde o movimento dos indignados, do Occupy Wall Street, e a Primavera Árabe – com as posições relativas do Urano e Plutão nessa altura; e vamos relacionar esses dois movimentos com os aspectos que se formarão, neste verão de 2026, entre Urano e Plutão – e o espírito desta combinação.

Vamos?

É só uma curta resenha.

 

Do ponto de vista astrológico, esta é uma comparação muito interessante porque estamos a falar de três momentos históricos diferentes ligados ao mesmo arquétipo: Urano e Plutão a remodelarem radicalmente a relação entre o indivíduo e o sistema.

 

1. Woodstock e a Revolução dos Anos 60

Woodstock

Entre 1965 e 1966 ocorreu a famosa conjunção Urano–Plutão em Virgem.

Urano = revolução, libertação, ruptura.

Plutão = transformação profunda, morte e renascimento.

Virgem = trabalho, corpo, saúde, hábitos, serviço, vida quotidiana.

 

A geração que nasceu sob esta conjunção tornou-se a geração que questionou:

a guerra;

a autoridade;

a moral sexual tradicional;

os papéis de género;

a medicina convencional;

os modelos de trabalho e produção.

 

Woodstock não foi apenas um festival.

Foi uma manifestação simbólica de uma nova visão do ser humano:

menos hierarquia, mais comunidade;

menos controlo, mais espontaneidade;

menos instituições, mais experiência directa.

 

O lema era essencialmente:

“Não queremos reformar o sistema. Queremos viver de outra maneira.”

 

2. Os Indignados e a Quadratura Urano-Plutão

Entre 2011 e 2015 tivemos a quadratura Urano em Carneiro – Plutão em Capricórnio.

Foi uma das configurações mais importantes do início do século XXI.

 

Urano em Carneiro:

o indivíduo;

a autonomia;

a identidade;

a revolta pessoal.

 

Plutão em Capricórnio:

governos;

bancos;

corporações;

sistemas de poder.

 

O resultado foi previsível:

Primavera Árabe;

Occupy Wall Street;

Indignados em Espanha;

protestos em inúmeros países.

 

Occupy Wall Street

O espírito da época já não era hippie.

Já não era:

“vamos criar um mundo novo.”

Era:

“este sistema está podre.”

 

A quadratura é conflito.

Por isso vimos confrontação, polarização e choque entre cidadãos e instituições.

 

3. O que acontece em 2026?

Agora entramos numa terceira fase.

Urano está acabado de entrar em Gémeos.

Plutão encontra-se nos primeiros graus de Aquário.

Temos então um trígono de Ar.

Não é uma conjunção.

Não é uma quadratura.

É um trígono.

E isso muda tudo.

 

O Espírito de 1968

Conjunção.

Nasce uma nova visão.

 

O Espírito de 2012

Quadratura.

A nova visão entra em conflito com o velho sistema.

 

O Espírito de 2026

Trígono.

A nova visão começa a encontrar canais de implementação.

Esta é uma diferença enorme.

O tema deixa de ser apenas protestar.

Passa a ser construir.

 

Urano em Gémeos + Plutão em Aquário

Esta combinação fala de:

redes descentralizadas;

inteligência colectiva;

novas formas de educação;

novas formas de comunicação;

comunidades digitais;

tecnologias disruptivas;

IA;

conhecimento distribuído;

soberania informacional.

 

O foco já não está na ocupação das ruas.

Está na ocupação da atenção.

A grande batalha dos anos 60 foi pela liberdade do corpo.

A grande batalha de 2012 foi contra as estruturas de poder.

A grande batalha de 2026 é pela consciência. E pela atenção.

 

Quem controla:

a informação;

os algoritmos;

as narrativas;

os fluxos de atenção;

 

controla a realidade social.

 

O lado luminoso

O melhor desta combinação é extraordinário.

 

Pode favorecer:

democratização do conhecimento;

ensino personalizado;

comunidades globais;

ciência colaborativa;

criatividade colectiva;

redes horizontais.

 

É a internet a tornar-se verdadeiramente madura.

Ou pelo menos a tentativa disso.

 

Mas existe uma sombra evidente.

Urano em Gémeos pode fragmentar.

Plutão em Aquário pode massificar.

 

Juntos podem produzir:

manipulação algorítmica;

tribalismo ideológico;

bolhas informacionais;

guerras narrativas;

realidades paralelas.

Alienação e dissociação pela tecnologia.

 

Em vez de um consenso colectivo, poderemos ter milhares de micro-realidades incompatíveis.

O que me parece mais interessante é que se Woodstock perguntou:

“Como podemos viver livres?”

E os Indignados perguntaram:

“Como podemos derrubar aquilo que nos oprime?”

 

Urano em Gémeos e Plutão em Aquário parecem perguntar algo diferente:

“Como podemos pensar livremente num mundo onde a informação se tornou o principal campo de batalha?”

 

E essa é uma pergunta profundamente uraniana, profundamente plutoniana e absolutamente central para a década que agora começa.

É por isso que suspeito que os grandes revolucionários desta fase não serão músicos, nem líderes políticos, nem sequer ativistas de rua.

Serão os criadores de narrativas, os educadores, os comunicadores, os programadores, os investigadores independentes e todos aqueles que ajudam as pessoas a recuperar a capacidade de pensar por si mesmas. Porque a matéria-prima da revolução que se aproxima já não é a terra de Virgem nem o fogo de Carneiro.

É o Ar: ideias, linguagem, redes, informação e consciência coletiva.

E todos nós deveríamos não só saber, como pensar seriamente nisso, e mais ainda, no papel – na responsabilidade – que temos, assumimos, e somos capazes de reconhecer neste grande processo colectivo; porque a Vida de qualquer pessoa consciente é colectiva.

A não ser que se seja um eremita, e nesse caso – não estaríamos a ler estas tretas na internet 😆

*

A gente ri-se, o que não quer dizer que isto não seja sério.

E a gente vai levando a vidinha, o que não quer dizer que as nossas vidas não estejam profundamente dependentes e entrelaçadas com todas estas dinâmicas colectivas, sociais, e de consciência da própria Humanidade.

A gente termina aqui a resenha, embora isto não tenha fim.

A gente só queria fazer um apontamento, quando isto merece reflexão e pensamento e acção e reconhecimento.

A gente faz o que pode – não, o que quer -, embora pudesse fazer mais, tanto mais, tão infinitamente

mais *

 

Mesmo que apanhemos Sol, concerteza.

Por que não,

Apanhar Sol?

 

Agora,…

 

Bueno.

Era só uma resenha. Vou ficar por aqui. E não digo na espreguiçadeira.

 

… tenho bicho, carpinteiro 😎

One Response

  • Vejam bem
    Que não há só gaivotas em terra
    Quando um Homem se põe a Pensar (…)
    🙏💫🙌

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