uma história sobre o Mercúrio-Neptuno que aí vem ;-)

À medida que os dias avancem,

vai-se aperfeiçoando no céu uma oposição de Mercúrio, a partir de Virgem (e portanto em domicílio) a Neptuno em Peixes (e portanto mais em domicílio também) e que ficará exacta durante o fim-de-semana, ao redor do grau 24º.

Isto, só por si, deveria ser um alerta para todos os regidos por Mercúrio, Neptuno, e para TUDO quanto estes rejam, e signifiquem, nos nossos mapas individuais de nascimento. Gémeos, Virgem, Peixes: enquanto Vénus faz trígono a Júpiter, reconciliando Touro Balança Sagitário e Peixes (entre si e uns com os outros, como o bacalhau com todos), 

Mercúrio faz oposição a Neptuno opondo o real e o possível, o possível e o ideal, a lógica e o sonho, o estado vigil e o sono, a razão e a imaginação, a mente de Mercúrio com a imensidão de Neptuno:

a mente molhada como a ave que não voa com o crude nas asas, mas ao mesmo tempo,

a mente que se inspira nas águas para voos, senão mais elevados,

pelo menos com mais Alma. Com mais Sentir. Porque de certa forma, a Alma não tanto nos convoca a “elevar”, mas a sentir – e explorar as tantas possibilidades do ser humano adentrando pelos reinos da imaginação, da arte, do sentir, da sensibilidade, da estética, da fantasia. 

É por isso que eu nunca diria a uma pessoa neptuniana vivenciando um trânsito de Neptuno para evitar perder a razão: não só é impossível, mas o oposto da proposta. 

Mas não foi por isso que eu comecei a escrever. Começa já o Mercúrio/Neptuno a instalar-se 🙂

Eu vinha aqui era contar uma história:

Mercúrio / Neptuno já instalados 😉

– curiosamente, em termos astrológicos, não há grande diferença entre mitómano, auto-iludido, fantasioso, sonhador, criativo, imaginativo, inspirador: são tudo resultados, expressões, e manifestações do contacto entre estes dois arquétipos.

De volta à história que ainda não começou:

(e a propósito da oposição Mercúrio / Neptuno que se forma nos céus por estes dias: atenção à mentira, à difamação, aos boatos, ao diz-que-disse, ao emprenhar pelos ouvidos – ou pela fantasia; já se sabe que quanto mais tu precisares de um príncipe, mais sapos vais dar por ti a beijar – Neptuno rulez ;-))

Mas mais importante,

atenção à história

(enfim, a atenção possível com Mercúrio / Neptuno, que seja como for, é a mente ausente, distante, ou distraída)

isto é,

caso interesse:

há muito pouco do mundo simbolizado por Mercúrio em Virgem (o mundo “de baixo”, da pequena mente e das pequenas coisas) que interesse, magnetize, atraia, desperte Neptuno em Peixes,

e Mercúrio em Virgem é demasiado tapado para perceber o quanto lhe poderiam interessar as histórias, fantasias, viagens e mayonnaise’s de Neptuno em Peixes, se ao menos se permitisse sonhar, divagar, “perder tempo” com “fantasias” e histórias.

Mas

a esperança, como a sogra,

é a última a morrer.

Esperança de que haja história, no final disto tudo

(com Neptuno, nunca sabemos bem o que vai sobrar, no fim de tudo, e afinal, o que é isso de tudo, e de fim, se é que isso sequer existe)

* 

a história.

A Maria Jasmim recebeu de presente de umas tias afectivas um brinquedo novo, uma máquina vermelha de fazer bolinhas de sabão. Vinha embalada e trazia aquele líquido especial que mistura nenhuma de super-pop com água substitui ou honra, quando acaba naqueles tubinhos com que nos habituámos a soprar bolinhas de sabão desde a infância,

esta máquina vermelha é uma espécie de Ferrari das bolinhas: com uma hélice de várias bocas, sopra algumas oito bolinhas de cada uma de cada vez, segundo a segundo, mas para isso

precisa de estar a funcionar,

e esta não estava.

Trazia líquido e instruções,

mas não trazia pilhas.

Anteontem, quando recebeu o presente, ficámos de comprar pilhas no dia seguinte. Amanhã. Que foi ontem.

Ontem comprámos pilhas: como não tínhamos a certeza do tamanho das pilhas (também não tínhamos uma chave phillips para abrir o compartimento das pilhas a verificar o tamanho, teríamos de arranjar uma quando fôssemos às pilhas) comprámos pilhas de 2 tamanhos (4 de cada: já começas a perceber a dimensão Virgem da história, suponho – ou espero ;-)),

e por favor não te ponhas a questionar a lógica dos raciocínios, porque não há – isto aqui é tudo Peixes, 

compras pilhas pelo sim pelo não enquanto compras a chave com que vais descobrir o tamanho das pilhas que entretanto já compraste,

percebes?,

nem eu, mas tenho que viver com isto há 47 anos: don’t ask

E então trouxemos pilhas (4 de cada, dois tamanhos diferentes) e a chave phillips com que descobrimos que afinal precisávamos de 6 pilhas das maiores

e ficámos, claro está, de comprar mais duas pilhas amanhã, que era hoje. E hoje foi hoje, aliás – ainda está a ser – e nós fomos comprar pilhas,

mas fomos comprar as pilhas – há bocadinho – porque precisávamos de limões.

E se não precisássemos de limões, não teríamos ido. A própria Maria Jasmim tinha dito, depois de almoço, para irmos às pilhas só amanhã (amanhã, amanhã: porque isto foi hoje – aliás, É hoje – mas já foi)

mas nós ficámos sem limões,

e decidimos ir às pilhas.

E de caminho,

comprar limões.

Quando voltámos,

com mais 4 pilhas compradas e portanto 2 a mais,

e pusemos a máquina a funcionar, a bombar bolhas de sabão pela atmosfera terrestre quase inteira, que exagero, ao longo de toda a costa alentejana, vá, aqui à volta de nós,

rodeados de bolhas de sabão multi-coloridas pela luz do Sol, dançando pelo ar à nossa volta,

dei por mim a dizer à Maria Jasmim:

já viste como está tudo interligado, Maria Jasmim? Fomos às pilhas por causa dos limões,

(e depois dei por mim a pensar sozinho, em roda livre)

fomos aos limões por causa do fígado do pai,

o pai fddeu o fígado com todas as estratégias desalinhadas a que recorreu para lidar com a dor,

teve de lidar com a dor porque assim nasceu,

assim nasceu porque assim 

é a Vida,

e depois dei por mim a repetir novamente e já em voz alta, de novo,

já viste, Maria Jasmim, como está tudo ligado? Nós fomos às pilhas por causa dos limões, 

mas eu queria dizer karma,

já viste Maria Jasmim como está tudo ligado,

as bolhas multi-coloridas a dançar por todo lado como um caleidoscópio animado e a Maria Jasmim a dançar no meio delas, entusiasmada, eu a pensar “isto parece um documentário sobre crianças psicadélicas“, 

e claro que no meio disto tudo haveria de rebentar também a bolha da sequência narrativa e pop

a dança continua sob tantas outras formas *

… e pensar que este post nasceu das bolinhas… 😉